BIDI - 28 de outubro de 2012 - Autres Dimensions

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 - Intervenção de BIDI - 
Sri Nisargadatta Maharaj

“Seja o que for que vocês mantenham (com a consciência, com as ideias, com as crenças, com as memórias, com as projeções), enquanto vocês mantiverem o que quer que seja, vocês não são Livres.
Aquele que é Livre não apagou suas lembranças: elas sempre estão aí, mas não o afetam mais.”

ÁUDIO mp3 ORIGINAL:


E bem, BIDI está com vocês e os saúda, e nós iremos prosseguir, se vocês bem o quiserem, nossos diálogos e conversas.
Eu escuto então as suas perguntas.

***

Pergunta: quando nós assumimos responsabilidades espirituais e materiais, devemos nos permitir viver os últimos impulsos da vida sensual deste mundo de carbono (com risco de esquecer ao que nós nos consagramos ao longo de toda nossa vida), ou essas últimas provas estão bem aí para nos permitir vê-las, para melhor superá-las?

A sua pergunta é múltipla.
Considerar que há o que quer que seja para recordar com relação à sua vida recorre, então, a um processo de memória ou de lembrança.
Nem a memória, nem qualquer lembrança, refere-se ao que você É.
O que apareceu um dia, e o que irá desaparecer um dia (e que você denomina a pessoa, a vida) estão inscritos, necessariamente, em meio a um efêmero.
Por outro lado, o que você nomeia “prova”, o que você nomeia “responsabilidade” apenas se refere, justamente, a este efêmero e absolutamente a nada mais.
Somente a personalidade situa-se entre um início e um fim, correspondendo ao aparecimento e ao desaparecimento da vida, em meio à consciência.
O conceito de prova, o conceito de responsabilidade, apenas concerne a este saco de comida e a este saco mental e, em caso algum, ao que você É.
Reagir ou não reagir irá sempre se referir ao desenrolar do efêmero.
Eu o convido, então, a considerar que o conjunto das proposições apenas se refere ao que é efêmero e, portanto, apenas se refere à pessoa, em meio a uma crença em uma evolução, uma crença em provas, uma crença na perenidade da memória ou de uma lembrança.
Você nada É de tudo isso.
Dessa maneira, não se coloque a questão de agir ou de não agir, mas sim de ver agir ou não agir, porque você não foi referido pelo agir ou não agir.
Enquanto houver implicação, através de um efêmero, não pode ali ter Absoluto.

***

Pergunta: você especificou que a perenidade da memória não tinha razão de ser. Mas, através das suas intervenções, você utiliza a sua memória?

Absolutamente não.
Porque você considera que existe um tempo linear e que o que se expressa é a consequência de uma ou das encarnações que esta consciência tomou.
Por outro lado, não é nenhuma questão de qualquer perenidade, de qualquer memória.
Considerar a perenidade da memória, o mantém, de uma maneira ou de outra (deste lado do Véu como do outro lado do Véu), na Ilusão de uma eternidade.
Nenhuma perenidade da memória pode ser eterna.
O Eterno não se importa com a memória.
O que se expressa, hoje, transcende o que vocês chamam de barreiras do tempo.
O que se expressa, neste instante, não é a sequência lógica do que eu exprimia, a um dado momento, mas se inscreve no mesmo tempo, além do seu tempo.
É muito difícil conceber, para o intelecto, que o que é dito, hoje, não é uma continuidade ou uma perpetuação, mas sim a mesma expressão, a mesma qualidade, independente da minha vida passada, independente de todo tempo.
O que é expresso (e esse foi o caso quando, segundo os seus dados temporais, eu estive encarnado) nada tem a ver, justamente, com a minha memória, ou com qualquer encarnação.
Porque o que eu exprimo não é uma continuidade, mas se inscreve no mesmo tempo, além do nosso tempo e do tempo de vocês.
Qualquer memória está em ressonância com a lei de ação / reação.
Nenhuma memória pode existir quando não há mais ação e reação, mas Estado de Ser, ou ainda Absoluto.
Experimentar e se estabelecer na Infinita Presença, no Estado de Ser, ou no Absoluto, põe fim a toda memória.
Em meio à consciência, a memória pertence ao efêmero.
A consciência apoia-se na memória, apoia-se na antecipação, mas memória e antecipação sempre irão pertencer à ação / reação, à dualidade e, portanto, ao efêmero.
Você não pode se apoiar em qualquer memória, em qualquer antecedente, assim como em qualquer projeção, para ser o que você É.
Isso muda o ponto de vista, muda o olhar e coloca você, de maneira irremediável, no que você É, e não no que você acredita, e não enquanto resultado de uma memória, ou antecipação de uma projeção.
O mais difícil, para a pessoa, como para a consciência, é, justamente, parar de acreditar.
Nenhuma consciência pode conduzir à a-consciência.
Nenhuma memória pode conduzir ao Estado de Ser, à Unidade, assim como à Infinita Presença ou ao Absoluto.
Enquanto a memória existir, enquanto houver uma relação com um passado, com uma história, você se inscreve, em meio à consciência, nesta memória e nesta história, e você não está, portanto, Livre.
O que permanece quando este saco desaparece?
O que se torna a memória (quer vocês acreditem ou não em alguma reencarnação)?
O que permanece do que você era anteriormente (quer este anteriormente seja ontem, um século ou mil anos)?
Libertar-se da memória, esquecer a memória, é estar disponível para o presente.
Se houver memória, há indisponibilidade para o presente.

***

Pergunta: a passagem nesta Dimensão de dualidade encarnada de nada vai servir, então?

De nada serviu, de nada irá servir e jamais de nada irá servir.
Este saco aparece um dia, ele desaparece no outro dia.
A consciência vai acreditar que ela é uma sequência de experiências, delimitadas em um tempo denominado “encarnação”, mas o que permanece de uma encarnação para outra?
Nada.
O que você É jamais se moveu, jamais existiu, sempre Esteve aí e sempre Estará aí.
Somente o olhar da pessoa e da consciência leva-os a considerar suposições que não se sustentam.
O que você exprime, através disso, é o que deseja a consciência: é uma forma de perpetuação, uma forma de infinito, uma forma de eternidade, que não pode existir.
A consciência sonha com uma eternidade.
A pessoa sonha com uma perenidade.
Isso não pode ser.
O que você É não corresponde a qualquer dessas proposições.
Se o que você é, hoje, em meio a esta vida, servisse para você em uma pós-vida, por que isso iria desaparecer quando você aparecesse, de novo, sobre este mundo?
Qual é o valor do esquecimento, em relação à memória?
Explique-me isso.
Todos os mecanismos da vida, em meio a este mundo, passam pelos mecanismos que vocês denominam “aprendizagem”.
O que você É não tem necessidade de qualquer aprendizagem, de qualquer educação, de qualquer sociedade e de qualquer mundo.
Aceitar isso (além da crença) é já deslocar o ponto de vista, deslocar o olhar e se descobrir tal como você É.
Enquanto você mantiver (pela pessoa ou pela consciência) a ilusão de uma memória, de uma progressão, de uma evolução, de uma transformação, você próprio se inscreve no efêmero, no que você não É.

***

Pergunta: qual é a diferença entre Absoluto e nada?

Para a pessoa e para a consciência, o Absoluto é o nada.
Para o Absoluto, o nada é uma estupidez da pessoa.
Nada mais.
Enquanto você não puder ser o que você É, porque existe uma distorção induzida pela pessoa, induzida pela consciência, então você se engana e você considera que o Absoluto é o nada.
O desaparecimento dos limites (resultantes do saco, de comida como mental) cria a suposição de uma identidade, de uma delimitação e de um espaço limitado.
O que você É, absolutamente não é isso.
Como o que é limitado (pelas ideias, pelos pensamentos, pelas concepções, pela própria forma da carne) pode pretender ser Absoluto?
Para ele, isso se chama o nada.
Só aquele que é Absoluto se dá conta, de algum modo, por ele mesmo, de que o nada é uma secreção do medo do saco.
Quando você dorme, será que o mundo está aí?
Quando você dorme, será que o “eu” está aí?
O Absoluto faz você ver que você é além de uma história, além de uma pessoa, além de qualquer saco e além de qualquer consciência.
Mas enquanto você não tiver vivenciado isso, este Absoluto é um absurdo, um nada.

***

Pergunta: qual é a diferença entre a Unidade e o Absoluto?

Na Unidade, a consciência está presente, ela própria se olha em um espelho peculiar, sem fundo, sem amálgama refletor: é um autoespelhamento.
A Unidade é uma contemplação, um estado da consciência com diferentes etapas (nomeadas “Samadhi”) correspondendo à consciência Turiya.
O Absoluto não é uma consciência: é o que você É.
A consciência existe no palco do teatro, na poltrona daquele que assiste, no próprio teatro.
O Absoluto sabe que há um teatro, mas sabe também, perfeitamente, que ele nada é do que constitui o teatro: dualidade como unidade.
O Absoluto corresponde à a-consciência.
A Unidade corresponde à consciência total ou, se você preferir, a uma consciência absoluta.
O Absoluto em nada é referido pelos jogos da consciência.
Constatar a Unidade, viver a Unidade, é um estado da consciência.
Ser Absoluto é ser além de todo estado e, sobretudo, não uma consciência.
O Absoluto é vivido depois da Dissolução ou durante a Dissolução.
A Unidade é vivida enquanto Comunhão da consciência, do Si ao Si, ou de qualquer Si a outro Si.
A consciência é experiência.
O Absoluto não se refere a qualquer experiência, a qualquer contemplação.
A consciência não pode se apreender do Absoluto.
É o Absoluto que contém a consciência.
É o Centro presente em qualquer centro.
A Unidade é ter consciência do conjunto das consciências, mas isso não é sair da consciência.

***

Pergunta: o Absoluto se move?

Ele permite todos os movimentos.
Sem ele, não há movimentos.
Sem ele, não há consciência.
O Absoluto é ao mesmo tempo anterior a qualquer movimento e é todos os movimentos, assim como a imobilidade.
Dar um qualificativo ao Absoluto irá se tornar, bem depressa, um disparate, é por isso que aquele que é Absoluto não pode, como eu disse isso, de forma alguma, traduzir em palavras o que é vivenciado.
O que é vivenciado não é uma experiência da consciência, mas, sim, é a cessação total de toda consciência que faz aparecer o que você É.
O que você É poderia ser nomeado “anterior à consciência” e, no entanto, nada disso é, porque isso é o que contém todas as possibilidades da consciência.

***

Pergunta: então é o Absoluto que vem a nós. Em nenhum caso nós podemos ir para ele?

Como eu havia dito, enquanto vocês acreditarem buscar o Absoluto, vocês irão fracassar.
O Absoluto é o que ele É.
O que você É não pode ser procurado, nem encontrado, já que isso está aí.
Enquanto você procurar, é a pessoa que procura.
Enquanto você acreditar nisso, é a pessoa que acredita.
O que cria a dinâmica da procura é, ao mesmo tempo, a consciência e, ao mesmo tempo, o que é nomeado a separação.
O que exprime bem que a pessoa está separada: ela se viu assim, inscrita em um limite temporal nomeado o nascimento e a morte.
Ela cria, em meio a esta vida, histórias (espirituais, sociais, materiais, afetivas) de responsabilidade.
Será que este conceito de responsabilidade, será que este conceito de evolução, muda alguma coisa no desaparecimento do efêmero?
Quaisquer que sejam as crenças deste saco, quaisquer que sejam as experiências deste saco, ele irá terminar um dia.
O que resta então?
Eventualmente, você pode me responder: “a consciência”, se a sua própria consciência não estiver mais limitada e separada e dividida, mas ela tem acesso às suas próprias memórias.

***

Pergunta: por que o Absoluto funciona mal, ou seja, nos mergulha nesse sonho que não existe?

Mas não é o Absoluto que funciona mal, é você.

***

Pergunta: ser Absoluto com forma, ele é programado com antecedência?

E ele seria programado segundo qual lei, qual escala, e qual calendário?
Isso é impossível.
O Absoluto é o que você Foi, o que você É, o que você Será, além de todo ser, de toda pessoa e de toda consciência.
A consciência não pode se programar para Ser Absoluto: isso é, justamente, uma desprogramação total da consciência.
Quanto à pessoa, para ela, isso é o nada.
Do ponto de vista da pessoa, o Absoluto não pode existir, não pode ser, e não pode aparecer.
Eu recordo que não há passagem da pessoa ao Absoluto, assim como da Consciência à a-consciência.
É a parada da procura em si, a parada de continuar um objetivo, a parada de toda crença, de toda suposição, que revela (pela refutação, pela investigação, pela maturidade) o Absoluto.

***

Pergunta: dizer “que a Liberação seja feita” pode ajudar-nos a sair desta ilusão?

A partir do momento em que você pronuncia esta frase, você considera que você não está Liberado.
Você coloca, então, uma distância com o que você É.
Como, colocando, de imediato, uma distância com o que você É, você pode esperar encontrar o que você É?
Você inscreve, através desta frase, o Absoluto, como um objetivo, como uma procura, como uma falta.
Isso é um erro.

***

Pergunta: será que o Absoluto é o Amor e isso é tudo?

Quando você diz “o Absoluto é o Amor”, você define, portanto, o Absoluto.
Será que o Absoluto pode ser definido?
Acrescentar “isso é tudo” quer dizer que você limita, e delimita, o Amor e o Absoluto.
O Absoluto, é claro, contém o Amor, ele é o reservatório do Amor, o conteúdo do Amor.
Mas você não pode dizer: “o Absoluto é isso ou aquilo”.
Porque você procura reconhecer, em uma definição, o que, para você, é o Amor, no seu ideal, na sua consciência, nas suas projeções, nos seus objetivos.
Tentar definir, assim, o Absoluto, afasta-o dele.
Não mais definir, não mais dar um qualificativo, não mais procurar uma razão, um sentido, uma explicação, uma lógica (a capitulação de todos os aspectos da pessoa e da consciência), faz você Realizar o que você É, de toda Eternidade.
Não há outra possibilidade.
Qualquer definição pertence à consciência.
O Absoluto não é a consciência.


***
Pergunta: você reiterou para nós que nada há a fazer, mas nós vivemos ainda sobre esta Terra onde somos obrigados a fazer coisas, enquanto sabendo que é ilusão.

Mas eu jamais disse para não fazer nada.
“Permanecer Tranquilo” refere-se à consciência.
Eu mesmo especifiquei que tudo o que era para fazer, por este saco, era para ser feito.
O Absoluto não é ser ocioso.
O Absoluto consiste em mudar de olhar, de ponto de vista, e de consciência.
Eu jamais disse que não era preciso fazer o que tem que ser feito por este saco, muito pelo contrário.
A pessoa entende sempre o que ela quer.
Eu jamais disse isso.
Ninguém jamais lhes disse isso.
Foi especificado, por alguns Anciãos, desde alguns anos, que havia circunstâncias de vida para mudar, a fim de desvendar a liberdade.
Mas ninguém jamais disse (e eu, ainda menos) que era preciso nada fazer.
Quando eu digo “nada façam”, eu não falo das atividades da pessoa, eu me dirijo ao que vocês São.
No que um Absoluto deve recusar a encarnação?
A recusa é uma oposição da consciência, e em nada se refere ao Absoluto.
O que você É não se importa com o que você faz, com como você o faz, ou com como você o realiza.
As obrigações referem-se à pessoa, mas não ao que você É.
Acreditar que a sua pessoa, extraindo-se das obrigações, vai encontrar o Absoluto, é um erro.
A pessoa não pode compreender o Absoluto, você tem a prova.
Ela interpreta os dizeres segundo o seu ponto de vista, ou seja, segundo a própria pessoa.
Enquanto você raciocinar assim, e agir assim, isso mostra que você não está “Tranquilo”.

***

Pergunta: há mudança de consciência dando conta que tudo isso é da ilusão?

Nenhuma mudança de consciência leva ao Absoluto.
O que você diz é uma primeira etapa que desencadeia a mudança do ponto de vista.
Mas se você rejeitar a ilusão, ali se opondo, você vai necessariamente reforçá-la.

***

Pergunta: eu penso que...

O que você pensa não tem qualquer importância: é o que você É, que é importante.
Achar ou não achar, nada muda do que você É.
Achar é uma dinâmica da ação, do movimento, e da própria ilusão.

***

Pergunta: desinteressar-se pelas experiências a viver revela uma mudança do ponto de vista?

Os dois são possíveis: ou há indolência, ou há o Absoluto.
Mas apenas você sabe a resposta.
Como eu disse, aquele que é Absoluto não se coloca mais a questão sobre o Absoluto.
Ele não pode se perguntar.
Do mesmo modo, aquele que faz uma saída do seu corpo, sabe o que existe fora deste corpo: ele não se pergunta mais sobre a existência, ou não, de algo depois deste corpo, já que ele vivenciou isso.
Mas aquele que não o vivenciou poderá colocar-se todas as questões do mundo, criar todas as crenças do mundo, todos os pensamentos o mundo, isso será apenas abstrações, porque ele não tem a vivência disso.
Enquanto vocês estiverem mortos a vocês mesmos, vocês não podem Viver o que vocês São.
Mas vocês podem levar a pessoa à morte.

***

Pergunta: abandonar todo esforço e se contentar em viver o que a vida propõe, a cada dia, é isso que convém fazer?

Nada há a fazer.
Enquanto você considerar que existe um estado preliminar (através de uma procura, através de “viver o dia a dia”), isso se refere ao saco e à consciência, mas não ao que você É.
Para alguns sacos, esse modo de vida é o que é proposto pela Inteligência da Luz.
Então, faça-o.
Realize isso.
Mas se dê conta do que você faz, ou do que você realiza, não tendo nem se afastado, nem se aproximado do que você É: aí, está a maturidade.
O Absoluto não se importa com o seu grau de atividade ou de inatividade.
O Absoluto não se importa com o seu grau de evolução, de iniciação, ou com qualquer outra coisa que seja (como a sua idade, ou o seu sexo, ou não importa o que mais).
Aí está a Verdade.
Eu o lembro de que o Absoluto sobrevém durante a capitulação da Consciência.
Esta capitulação não é nem um fazer, nem uma ação, nem mesmo um estado de ser: isso é espontâneo, imediato.
A partir do momento em que você, de algum modo, se extrai (sem desejá-lo, sem querê-lo) das ilusões e de todo efêmero, isso não põe fim ao seu efêmero, isso não põe fim às responsabilidades deste saco: isso é totalmente independente.
Para alguns, isso será dessa maneira.
E, para outros, a Inteligência da Luz coloca-os frente a desafios.
Um como o outro são, muito exatamente, o que é proposto para vocês.
Mas eu os lembro de que, independentemente do que lhes propõe a Inteligência da Luz, ela é destinada a levá-los ao Si, à Unidade, ou mesmo à Última Presença ou Infinita Presença.
Mas o mecanismo Final (se eu puder dizê-lo assim) acontece, de algum modo, quando, até mesmo, tudo isso é deixado, na totalidade.
É o momento em que a consciência nada mais reivindica, ainda mais ela mesma (no Si ou na Unidade) que emerge, de alguma forma, o que você É.

***

Pergunta: por que o Si, tão narcisista, renunciaria a ele mesmo?

Ele não pode.
A consciência jamais renuncia a ela mesma.
A projeção leva à projeção.
A criatividade leva à criatividade.
A experiência leva à experiência.
Porque o conjunto do que é conduzido implica em uma comparação: consciência Unitária, consciência dual, etc., etc..
Mas o que você É não está, de nenhum modo, concernido a isso.
Não é o Si que realiza o Abandono do Si.
Isso não é um ato de vontade, isso não é um ato ligado a uma prática (ainda menos a uma ascese, ainda menos a uma moral), mas, sim, ao famoso nada do Si, ou da pessoa, esse cataclismo final da própria consciência que o faz descobrir o que você É.
Do mesmo modo que, quando a maioria dos Irmãos e Irmãs humanos vive experiências fora do corpo (ou próximas da morte), há um trauma (qualquer que seja), uma ruptura da continuidade e, portanto, esta forma de descontinuidade que leva a Ser o que você É, mas não antes.
Eu vou retomar outro exemplo que lhes é familiar porque utilizado, em várias ocasiões, pelo Comandante dos Anciãos (ndr: O.M. AÏVANHOV).
A Consciência que vocês procuram parece afastada de vocês.
Esta Consciência é o amendoim dentro do pote.
Quando vocês veem o pote e os amendoins, é preciso colocar a mão dentro do pote para retirar os amendoins.
E o que acontece, naquele momento?
A mão não sai mais do pote.
Convém então ir além do amendoim, do bocal, e da mão.
Mas enquanto você considerar que existe um pote, amendoins, e uma mão para segurá-los, não há solução.
A consideração das refutações (feitas, ou não, por vocês, até agora) era destinada a fazê-los mudar de ponto de vista.
Era uma forma de lógica que se dirigia à pessoa e ao mental.
Nenhuma outra atividade mental (da pessoa ou, até mesmo, da Consciência a mais expandida) é-lhes de qualquer utilidade.
Realizar o Abandono do Si não é uma Realização: é uma Liberação.
Esse não é um objetivo a cumprir, é, muito pelo contrário, algo a soltar.
Mas esse algo a soltar não deve ser confundido com o fato de mais nada fazer.
A consciência é o que mantém.
A a-consciência é o que soltou.
Seja o que for que vocês mantenham (com a consciência, com as ideias, com as crenças, com as memórias, com as projeções), enquanto vocês mantiverem o que quer que seja, vocês não são Livres.
Aquele que é Livre não apagou as suas lembranças: elas sempre estão aí, mas elas não o afetam mais.
A pessoa como a Consciência, o ego como a Consciência Unificada, sempre estão em busca de uma experiência, de um objetivo, e de uma meta.
Nenhum objetivo, nenhuma experiência, e nenhuma meta, relevam do Absoluto.

***

Pergunta: a percepção de um movimento quando tudo está tranquilo revela o Abandono do Si?

O movimento é um processo Vibratório.
Tudo depende se esse movimento nasceu em alguma parte deste saco, ou se ele tomou todo o saco de repente.
O movimento, a impressão de movimento, ou a percepção de um movimento, podem estar conectados a uma das etapas finais da própria consciência.
Mesmo se não existir passagem, propriamente falando, entre a Infinita Presença (ou o Abandono do Si, realizado totalmente) e o Absoluto, então podemos dizer que isso são primícias, testemunhas, se você preferir, de que o ponto de vista está prestes a mudar.
Do mesmo modo que as experiências de Comunhão, de Fusão e de deslocalização prepararam vocês.
Do mesmo modo que o contato com outros Absolutos, pelo Canal Mariano, preparou vocês.
A Onda da Vida é também um movimento.
Quando a pessoa se apaga, e quando a consciência cessa de observar si própria (mesmo no Si), então a Onda da Vida é lançada.
O Absoluto está então presente.
Isso é vivenciado, e isso é inteiramente consciente, porque vocês alcançam a sua natureza, além da própria consciência.
O que vocês São.

***

Pergunta: ter o olhar que nada mais vê e que salta, reflete uma mudança de ponto de vista?

Não, porque o que é visto, naquele momento, é visto pela própria consciência.
Certamente, diferente daquela da pessoa, mas muito associada à consciência pessoal, de qualquer maneira, quaisquer que sejam o tipo de visão e a forma de visão.
O Absoluto não é uma visão.
O Absoluto não é um estado.
Mas, naturalmente, existem, em meio aos últimos estados da consciência, preliminares ao Abandono do Si (mesmo não sendo uma finalidade), a manifestação de uma série de elementos Vibratórios que lhes são desconhecidos, mas que continuam a ser, para o Absoluto, uma ilusão.
A identificação da consciência com as Vibrações leva à expansão da consciência até a Unidade e até a Infinita Presença, mas jamais ao Absoluto, já que o Absoluto é o desaparecimento da própria consciência.
Ora, como a consciência que Vibra, que se expande, poderia desaparecer?
Isso é uma experiência da consciência.
O verdadeiro olhar é, efetivamente, sem os olhos, sem discriminação, sem qualquer sensorial, sem qualquer percepção, sem qualquer concepção, sem qualquer lógica aparente.
A melhor testemunha é a Onda da Vida que é uma propagação e um movimento visando, como vocês sabem disso, atravessar alguns obstáculos da pessoa, e da sobrevivência da pessoa, e, depois, favorecer o Coração.
Esses mecanismos são as testemunhas do acionar, inconsciente, da confrontação da própria consciência (que você percebe) com o Absoluto.
Mas isso ainda não é o Absoluto.
Isso não é um pré-requisito, porque, ao empregar a palavra pré-requisito, você vai considerar que é uma etapa que ocorre, mas esta etapa não é absolutamente indispensável, nem mesmo necessária.
Ela é talvez mais apropriada às condições da Luz atual, aí onde vocês estão.
Na minha encarnação, isso não era necessário.

***

Pergunta: haverá muitos Absolutos com forma antes do final?

Eu posso responder dizendo a você que haverá um monte de Absolutos com forma, como sem forma, depois do final.
O fim não existe para o Absoluto.

***

Pergunta: o que fazer aguardando o final?

Eu levo mais longe o seu raciocínio.
Assim que você tem idade para conceber que você é uma pessoa (depois dos três, quatro anos), você apreende intimamente, naquele momento, que o que apareceu, em meio a esta forma (a este corpo, a este campo de consciência), tem um fim.
Será que, no entanto, você decide, desde a idade de quatro anos, nada fazer?
O sentimento de fim, se ele levar a um desinteresse, não o leva a parte alguma, porque irá se tratar sempre de uma fuga.
Aquele que é Absoluto não é referido, nem pelo início, nem pelo fim (dele mesmo, como do mundo).
Não há qualquer atitude mental satisfatória para o Absoluto porque, se você disser que dentro de tantas semanas será o fim, e você esperar este fim, você se engana.
Veja: na maioria das vezes, quando anunciamos a um saco de comida que ele vai partir devido a uma doença grave, o que acontece?
Na maioria dos casos, essas pessoas ficam mais vivas do que antes.
Elas saboreiam cada minuto, cada dia e cada hora.
Isso é independente da atividade ou da não atividade.
É, eu diria, uma atmosfera Interior.
É como se, sabendo que você é uma pessoa (aos quatro, cinco anos) que vai terminar um dia, você se dissesse: “esse dia é inevitável, para que serve deixar viver este saco?”.
Ora, a recusa da Ilusão mantém a Ilusão.
Do mesmo modo, toda espera (mesmo justificada, mesmo real) de um acontecimento real testemunha o que você é.
A espera coloca uma distância do que você É.
Esperar que o fim de alguma coisa iria permitir-lhe ser Absoluto, é um erro.
O fim seja do que for lembra a você, simplesmente, o que você É, além da pessoa.
Isso se denomina a Liberação.
Aquele que é Absoluto, é Liberado Vivente.
Ele não tem necessidade de aguardar um acontecimento, ou um fato, o fim do que quer que seja, para Ser isso.
Tenham cuidado para nunca se colocar, vocês mesmos, em um sentido de expectativa, porque o sentido de expectativa (como de espera convicta ou de esperança) coloca uma distância.
Existe uma armadilha.
Como foi dito, vivam cada minuto, aí onde vocês estão, plenamente, inteiramente, como se fosse o último porque, de qualquer maneira, sabendo-se em uma pessoa, há a certeza e a inevitabilidade do fim desta pessoa.

***

Pergunta: amar a ilusão, ou seja, amar a natureza, amar as flores, nos afasta do Absoluto?
Mas tudo depende do que você denomina amar.
Há tantos seres humanos quanto definições do amor.
Se você ama sem se apegar, não tem qualquer motivo para a natureza afastá-lo do que você É, já que a natureza é Absoluta, além da aparência.
Tudo depende do que você ama.
Será a cor, será a forma, será a fragrância, será a aparência ou será a essência?
Toda diferença vem de você, mas não da natureza.
Nada pode afastá-lo, nada pode aproximá-lo.
Há apenas circunstâncias que reforçam a ilusão, que a mantêm e a sustentam.
E há circunstâncias que o Liberam.
Mas as circunstâncias são Interiores: elas não se referem à cessação de uma atividade ou de uma responsabilidade.
O fato de estar na natureza ou em um apartamento, no Absoluto, nada muda.
Mas, obviamente, que a natureza e o que é natural permitem, de maneira muito mais ampla, em princípio, expandir a consciência.
Mas não é preciso confundir as manifestações de um objetivo qualquer com o Absoluto.

***

Pergunta: você disse que a natureza é Absoluta. Você pode desenvolver?

Além da forma, da aparência, dos odores e das cores.
Como é que o que está diante dos seus olhos poderia escapar de ser Absoluto?
Enquanto vocês considerarem que o Absoluto é um objetivo, uma meta, uma finalidade, uma prática, vocês não estão ali.
Uma árvore é Absoluta.
Há uma consciência na árvore.
O Absoluto não faz diferença entre uma folha de grama, uma árvore, uma galáxia e um universo.
Ele os contém, todos eles, da mesma maneira.
A árvore, como qualquer elemento da natureza, obedece a um projeto, ao projeto da Vida: nascimento, crescimento, decrescimento, e morte.
Além desta aparência, além dos seus movimentos, das suas formas diferentes, há o Absoluto.
Será que a árvore se pergunta sobre ser uma entidade, uma consciência ou um Absoluto?
Não, ela é tudo isso ao mesmo tempo.
Há apenas o mental humano que cria a distância.
Uma árvore não pode criar distância.

***

Pergunta: o porco que abatemos ou o pombo e o pato que Hildegarda de Bingen recomenda comer, como se situam em relação ao Absoluto?

Do mesmo modo que você, que isso seja o porco, o pombo ou você, isso não faz diferença alguma.
O Absoluto não é devedor de uma forma de vida ou de uma outra forma de vida.
Você busca julgamentos de valor ou definições no que não tem.
Aquele que é Absoluto com forma vê as diferentes formas, concebe que um porco não é um pombo, que um pombo não é a sua pessoa, mas que isso nada muda.
Você quer levar o Absoluto ao seu campo de compreensão, ao seu campo de percepção, ao seu campo de experiência, mas isso é impossível.

***

Nós não temos mais perguntas, nós lhe agradecemos.

***

E bem, BIDI saúda vocês, e marca encontro com vocês uma última vez, e eu lhes digo, então, até breve.


************

(Publicado em 30 de outubro de 2012)

***

Tradução para o português: Zulma Peixinho


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