BIDI - 5 de setembro de 2012 - Autres Dimensions

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Bem, BIDI está com vocês.
E vamos prosseguir, através de suas questões.
Eu os saúdo e eu os escuto.
 
Questão: como se pôde cair na armadilha dos falsificadores?
Qual é o papel deles?

Responder a isso, do ponto de vista do Absoluto, é uma dualidade.
É claro, isso existiu.
É claro, isso existe.
Mas, em caso algum, isso pertence à Verdade e, ainda menos, ao Absoluto.
Não há mais falsificadores do que seres que viveram uma história.
Essa história é real, a um nível da personalidade e da alma.
O que você É, em definitivo, não tem qualquer relação com uma história.
Aquele que É Absoluto, em uma forma, como o sem forma, possui o verdadeiro conhecimento.
Todo o resto e todos esses conhecimentos, do ponto de vista do Absoluto, são apenas ignorância, que mantém o princípio de Dualidade, bem longe da Unidade.
Conhecer isso pode ser importante para a personalidade, para a alma e para aquele que se sente confinado.
O Absoluto não conhece qualquer confinamento em qualquer história que seja.
O objetivo de nossas conversas é, justamente, fazer cessar isso, não responder, porque toda resposta necessitaria de recair em um princípio de dualidade, de oposição de bem e de mal, concernente às histórias.
O Absoluto não se importa com uma história, tanto a sua como qualquer outra.
O Absoluto, como Centro presente em todo ponto, não se importa com isso.
Assim, portanto, essas dados foram-lhes dados para fazê-los aproximar-se de um ponto de Basculamento.
No que lhes concerne, em nossas conversas, isso não tem qualquer espécie de importância.
Você poderia ler todos os livros de história do mundo, que isso não o faria mover-se uma vírgula da personalidade.
Não está em meu propósito, no curso dessas conversas, nutrir isso ou ali aportar qualquer resposta.
Tanto mais que isso foi dado, em muito numerosas reprises, por todos aqueles que se reuniram para, justamente, permitir-lhes não mais estarem inscritos em uma história.
Então, permitam-me não estender-me sobre esse gênero de ignorância.
Eu jamais escondi de vocês que, qualquer que seja o sistema de conhecimento que vocês procurem, toda essa busca é apenas uma vaidade, e mostra, simplesmente, sua ignorância para Ser a Verdade.
É uma fuga à frente, uma fuga de si, uma fuga do Absoluto.
Todos esses conhecimentos, em definitivo, são apenas ignorância.
Eles correspondem a uma camada profunda da cebola, que não conhece qualquer das outras camadas e, ainda menos, a cebola.
Elas participam da cena de teatro.
 
Você quer permanecer no teatro?
Você quer continuar a jogar a história sem fim?
Que terá um fim, um dia, mas ela repetitiva?
A única Verdade é reconhecer que todos os seus conhecimentos, desse conhecido, são apenas ignorância.
Aí está o verdadeiro Conhecimento.
Todo o resto são apenas divertimentos, trapaças, perdas de tempo.
Tudo o que os inscreve no tempo, os faz perder tempo.
É claro, se seu objetivo é o conhecimento, então, mergulhe nos livros.
Mas nenhum livro o fará viver o que foi vivido.
Tudo isso faz apenas manter a ilusão de uma lógica, a ilusão de uma ação/reação e não participa, em caso algum, do que você É.
Isso apenas pode afastá-lo de si e levá-lo a outro lugar que não aí, onde você É.
Tudo o que eu lhes disse, desde minha primeira intervenção aqui, como a ilustração do que eu vivi, era destinado a fazer romper o círculo vicioso do que vocês nomeiam conhecimento.
Coloquem-se a questão, antes, do que é que isso nutre em você.
O que é que tem necessidade de ser nutrido, se não é o saco de alimento e o saco mental?
Será que o que você É tem necessidade de qualquer alimento?
A menos que você se assemelhe a um saco, que tem necessidade de ser preenchido até explodir (como a rã).
Nada de tudo isso pode levá-lo à Verdade.
 
Esse gênero de questão é feito para distrair e para deturpar a Verdade.
A falsificação concerne à precipitação da alma e às circunstâncias do que alguns ignorantes chamaram a Queda.
Mas qual queda?
O que é que cai?
Como o que jamais se moveu e não se moverá, jamais, pode cair em algum lugar?
É uma anomalia de ponto de vista.
A localização de onde está situada essa questão é apenas o reflexo de cogitações do mental, que procura deturpar a Verdade, que procura afastar o que você É.
Quem comanda, quem dirige, em você?
Quem o faz crer que esse gênero de resposta vai levá-lo a qualquer Verdade?
Por trás de toda questão e por trás de toda resposta há um vai-e-vem.
Esse vai-e-vem é a Vida.
Não no conteúdo ou na resposta, não mais do que na questão.
Mas bem mais, para permitir-lhes ver que nada de tudo isso concerne ao que vocês São.
Eu recordo, de qualquer forma – mesmo se isso não concirna ao Absoluto que eu Sou, mas concerne, de qualquer forma, ao Absoluto que vocês São – que a história sem fim termina, no caso que vocês não tenham compreendido.
 
A história sem fim que termina é como para o teatro: quando o espetáculo terminou, é preciso, efetivamente, sair.
Ninguém voltará a acender a luz e a tela de projeção.
Ninguém animará a cena.
Inclinem-se no essencial, inclinem-se na única coisa que é útil, hoje.
 
Questão: a separação dos seres amados vai provocar rupturas, em especial dos filhos? 

Mas a ruptura concerne apenas à personalidade e aos laços estabelecidos no teatro.
Há um que disse: «seus filhos não são seus filhos».
Aquele que é seu filho, hoje, em outro teatro, em um passado, matou-o, ou você o matou.
Por que limitar-se a amar seus filhos?
Vocês são, todos, os filhos, uns dos outros.
Vocês são, todos, os pais, uns dos outros.
Enquanto vocês fazem uma diferença entre seu filho e não importa qual criança, vocês mostram, também, com isso, qual é seu apego e, portanto, o que os têm e confina-os.
O sofrimento concerne apenas à personalidade, apenas ao ilusório.
O Absoluto não apresenta qualquer sofrimento.
Quando eu vivi sobre esta Terra, eu fui afetado por uma doença muito grave, no fim de minha vida.
 
Será que isso mudou o Absoluto?
Enquanto vocês permanecem pregados às suas emoções e veem, aí, o Amor, vocês estão na ignorância do Amor, estão na projeção do Amor e estão na dependência à Ilusão.
Será que vocês creem, verdadeiramente que, quando o saco de alimento desaparece em uma cena de teatro anterior, resta o que quer que seja do que vocês criaram como laço?
 
Resta, simplesmente, o apego sem afeição, é isso que vocês vivem.
E, enquanto vocês são tributários disso, vocês estão presos.
Vocês não podem pretender ser Livres e continuar confinados.
Falar de ruptura mostra, simplesmente, que é a personalidade que se exprime, porque o Absoluto vê o teatro, vê o jogo dos atores.
O Si não participa disso.
 
Todas as estratégias do que foi nomeada a falsificação e o confinamento foram, justamente, fazê-los viver isso como a única realidade, como a única verdade.
E, dessa verdade completamente relativa, vocês fizeram leis absolutas.
Não é pedido para rejeitar quem quer que seja, mas, por que fazer uma diferença entre um filho que vocês fizeram e todas as outras crianças?
Onde está o Amor?
 
Enquanto vocês permanecem nesse ponto de vista, não pretendam viver o Amor.
Qual ruptura, quando a Luz está aí?
Quando a Luz está aí, todo o resto não existe mais.
Só o Amor e o Absoluto São.
E esse Amor Absoluto não toma em consideração nada do que é efêmero.
É a personalidade e a alma que creem que isso vai continuar.
Isso não continuará.
 
Permaneçam confinados, se desejarem, mas vejam, efetiva e realmente, o que acontece em vocês, nesse momento mesmo, de modo muito mais importante do que quando a cena de teatro estava calma.
Quando uma cena de teatro é perturbada, quando a luz apaga-se ou quando a luz é demasiado forte (o que dá no mesmo), quando há elementos que vêm perturbar o teatro, o que é que vocês fazem?
Vocês continuam a jogar a cena de teatro?
Vocês continuam a projetar o amor e os medos?
Ou tornam-se, realmente, o que vocês São?
 
Considerar a separação mostra que vocês estão separados e que o ponto de vista que é exprimido, do amor, é partidário, em função do conhecido.
 
O Absoluto não pode ser conhecido.
 
Tudo o que se exprimirá, sempre, será, sempre, através da falta, a personalidade e a alma, que desempenham papeis, funções, atribuições, que se apegam, elas mesmas, ao sonho do outro, que aderem ao sonho comum.
 
Mas, se vocês querem prossegui-lo, vocês são livres: mas não falem de Liberdade, não falem de Amor.
Falem de apego, de projeção de amor, de personalidade, de carne.
Enquanto vocês veem uma diferença entre um saco de alimento que vocês criaram e outro saco de alimento, vocês veem apenas pessoas, ou seja, máscaras, que não existem.
 
O que eu digo vai chamá-los a situar-se e a assumir isso.
Mas eu não posso, aí tampouco, responder a essa questão, porque ela concerne à personalidade, ao efêmero, ao confinamento.
Então, não se surpreendam de terem sofrido o confinamento, de querer a Liberação, serem Liberados – Vivos ou não, em uma forma ou sem uma forma – e interrogarem-se sobre a persistência dos laços.
Eu sei, perfeitamente, que o amor considera, sempre, quando um humano vive-o, que ele será eterno.
E nós todos o vivemos.
 
Mas qual amor é eterno?
Ele é eterno e ele é pensado, verdadeiramente, no instante.
Mas ele não pode ser eterno, uma vez que é uma projeção, um ideal.
Esse ideal não pode ser criado aí, onde vocês estão, porque, justamente, há um saco de alimento e um saco mental que os confina e que fazem crer em uma liberdade.
Qual liberdade há quando se está em um saco, qualquer que seja?
A única verdadeira Liberdade é aquela do Absoluto, da Consciência, como da a-Consciência.
 
Todo o resto são apenas jogos de papéis, por vezes dramáticos, por vezes felizes, mas que não duram, jamais.
A memória pode sobreviver, mas, quando essa memória não é mais alimentada, no sentido de uma história, tudo isso desmorona.
Cabe a vocês ver.
 
Questão: as relações sexuais contínuas podem frear as evoluções em curso?

O que você chama de relações sexuais contínuas, primeiro?
Em seguida, o saco de alimento deve viver a vida dele.
Ele apareceu um dia.
Ele desaparecerá outro dia.
 
O que quer que vocês façam desse saco, em que isso afetaria o Absoluto?
Isso é apenas uma questão de ponto de vista e do lugar onde vocês colocam o que fazem.
 
Quando eu estava em um saco, eu fumava e, no entanto, posso dizer a alguns que fumar é nefasto para eles, e, para outros, que isso nada muda.
Portanto, é o mesmo: tudo depende o que exprime a sexualidade.
Geralmente, ela exprime apenas uma falta, porque aquele que vive o Êxtase, ele está na sexualidade a cada minuto, ele está no gozo permanente.
 
Então, que viria fazer o sexo aí?
É um dispositivo.
Mesmo se existam seres que vivem uma sexualidade que os transporta, tudo depende do que exprime essa sexualidade: é uma falta do outro?
Da Unidade?
 
Torne-se Absoluto, Seja o que você É, e a questão da sexualidade não o tocará, mesmo, mais, quer ela seja excessiva ou não exista.
Ela concerne, unicamente, ao saco de alimento e, sobretudo, ao saco mental.
 
O Absoluto não se importa com a cena de teatro.
E, mesmo a sexualidade, dita sagrada, é uma cena de teatro específica.
 
Enquanto não mudam de ponto de vista, vocês podem, sempre, correr atrás do Absoluto ou, mesmo, a Última Presença, isso não poderá ser.
É preciso, já, mudar de olhar e, depois, façam o que quiserem.
Mas colocar-se a questão do tabaco, do sexo, de uma relação mãe-filho é, já, enganar-se.
Havia um que disse (e ele mal terminou): «busquem o Reino dos Céus e o resto ser-lhes-á dado».
 
Ora, o ser humano passa seu tempo a procurar tudo, exceto o que ele É.
São distrações.
Quer sejam sexuais, quer sejam espirituais, quer seja o Kundalini, quer seja a política, são as mesmas distrações, com as mesmas consequências: o confinamento, a perda de liberdade cada vez mais profunda.
 
Quem pode dizer, hoje, que esse Mundo está em boa saúde?
Quem pode dizer que o progresso trouxe a liberdade?
Onde está a liberdade, no mundo?
Vocês são subjugados pelo sexo de um, pela tela de TV do outro, pela posse de um marido, de um filho.
Encontrem o que vocês São, o que vocês São desde sempre, e o resto desenrolar-se-á sem qualquer emoção, sem qualquer pensamento e, verdadeiramente, no Amor.
 
Enquanto vocês brincam de tagarelices infantis, vocês não são a Verdade, vocês desempenham um papel.
Saiam de todo papel e deixem os papéis desenrolar-se.
Quanto menos vocês interferirem no saco de alimento e no saco mental, mais sua vida será harmoniosa, plena, serena, sem questão, sem dúvida.
 
Vocês serão Liberados.
Vocês serão Liberados.
Mas, enquanto vocês creem interferir, em qualquer setor que seja, vocês estão presos.
Eu não lhes peço para fechar-se em uma caverna, mas para olhar-se jogar.
 
Portanto (a sexualidade, como o tabaco, como a carne), enquanto vocês creem que seja preciso elevar suas Vibrações (e isso é verdadeiro, a um dado momento), é preciso prestar atenção a tudo o que entra em vocês (em qualquer nível que seja).
Mas, a um dado momento, vocês vão perceber que o mais importante nada é de tudo isso.
Aí está a Liberdade.
 
O que não quer dizer que seja preciso comer a carne todos os dias, isso não quer dizer que seja preciso fumar pacotes de cigarros todos os dias ou fazer da sexualidade um ato sagrado ou uma ocupação.
Nem um, nem o outro.
 
Enquanto jogam esses jogos, vocês estão na cena de teatro.
Mudem de olhar, mudem de ponto de vista e vocês verão.
Quanto mais vocês soltam em sua própria vida, mais a Luz agirá.
São vocês que fazem obstáculo, pelos comportamentos, pelos prejulgamentos, pelos pensamentos todos feitos, pelos apegos.
Tudo o que vocês têm, tudo ao que vocês se atêm, tem a vocês.
Quer seja seu corpo, seu marido, sua sexualidade ou seu cigarro.
Se vocês não se atêm ali, observarão isso como uma fonte de contentamento ou de doença, mas pouco importa, isso não os afetará.
 
Questão: quando a vontade persiste, apesar de tudo, que fazer para abandonar-se?

Bem, esqueça-se de você.
Se você tem a impressão de lutar, efetivamente, junto a muitos, isso reforça a vontade.
Esquecer-se, Abandonar-se é, justamente, a ausência de vontade.
É o momento no qual você aceita não mais participar da cena de teatro, não mais ser, tampouco, o espectador, sair do teatro para dar-se conta de que isso não existe, para o que você É.
 
Aquele que diz: «eu não posso Abandonar-me», significa, com isso, que ele está, ainda, em sua personalidade.
Não é a personalidade que se Abandona, é o Si.
 
É excepcional que uma personalidade Abandone, Abandone-se.
É por isso que lhes falaram, os Anciões, do Abandono do Si.
A personalidade é concernida pelo Abandono à Luz, que induz transformações, uma satisfação, uma ilusão, mais leves.
 
Toda a problemática que vocês me submetem, de momento (seja o sexo, sejam os filhos, a mamãe), e essa questão aí, mostra, simplesmente, que vocês não mudam de ponto de vista.
Vocês puxam tudo para a Ilusão.
Vocês puxam tudo para o efêmero, ou seja, para o pessoal, para a pessoa ou para a sociedade, para o social.
Não há qualquer solução aí.
 
Enquanto vocês não tiverem apreendido isso não poderão Ser Absolutos, não poderão passar da personalidade ao Si e girarão em círculo nisso.
Mas é sua liberdade.
Mas essa liberdade não é a Liberdade.
 
Eu não posso mostrar-lhes qualquer caminho porque, assim que há um caminho, assim que vocês creem percorrer um caminho, não são mais o que vocês São, vocês estão em uma projeção.
Dito em outros termos, vocês se enganam ou, no exemplo que já tomei, confundem, no escuro, uma corda com uma serpente.
É preciso, já, iluminar a cena e ver que é uma corda, e não uma serpente.
 
Todos os medos são condicionados pelas crenças e pelas projeções.
Se vocês cessam toda projeção, todo «eu», todo «eu Sou» (após tê-lo encontrado), aí, vocês São a Verdade, esse Absoluto do qual nada pode ser dito.
Mas vocês não podem trabalhar, estando na cena de teatro, para fazer desaparecer o teatro.
É impossível.
 
Igualmente, quando eu digo que esse saco de alimento, mesmo se seja um Templo, ele retorna à Terra.
Será que esse saco de alimento vai a algum lugar?
Será que uma afeição vai a algum lugar?
Será que uma relação sexual vai a algum lugar, quando terminou?
A não ser viver no passado, na memória e, sobretudo, na necessidade de refazer a mesma coisa?
Não há qualquer satisfação que possa sair daí.
A satisfação será efêmera.
Senão, vocês estariam satisfeitos, uma única vez bastaria.
 
Tudo o que vocês reproduzem apenas mostra seus limites, sua ausência de ponto de vista que tenha mudado, sua adesão ao limitado, ao reprodutível, ao movimento.
Então, é claro, pode-se dizer que a vida é movimento.
Para o Absoluto não há qualquer movimento.
 
Só aquele que penetra esse Estado, para além de todo estado, percebe que não há nem corpo, nem saco de alimento, nem mental, nem identidade, nem história, nem mesmo consciência.
Aí está o contentamento.
 
E, este, é permanente, contrariamente a tudo o que se reproduz, sejam os sacos de alimento ou as ações.
Vocês estão em um sonho coletivo, e vocês criaram regras, e nós todos criamos regras nesse sonho coletivo.
Mas nenhuma regra pode depender do Absoluto.
O Absoluto não é uma regra.
 
Questão: por que é difícil permanecer no momento presente?

Mas porque tudo, na vida, é feito para isso.
Seja o saco de alimento com suas necessidades, sejam as relações, quaisquer que sejam e suas necessidades.
Sejam, justamente, as memórias, tanto a sua como aquela de todos aqueles que sonharam e que continuarão a sonhar.
 
No Presente não há nem futuro, nem passado, nem amanhã, nem ontem, nem ninguém.
Pode-se dizer que vocês São o Presente.
Mas, quando eu digo o Presente, não é, unicamente, o tempo presente ou o instante presente.
É bem além do tempo.
Isso concerne, diretamente, ao «eu Sou» e ao Absoluto, porque a experiência conduz à experiência e reproduz as experiências.
 
Olhem o que vocês fazem com as afeições, com os casamentos, com os filhos, com os divórcios: é apenas a reprodução.
Onde está a Liberdade?
Pode haver prazer, mas o prazer não é uma liberdade.
É uma cadeia.
Reflitam.
 
Onde vocês se situam?
A coisa a mais importante é sair da ideia de que há um mundo, de que há uma pessoa, de que há uma história, de que há uma memória.
Todo o resto decorre daí.
Mas não procurem, em um caminho que não existe alhures que não em sua cabeça, a verdade.
Enquanto vocês estão submissos a isso, nenhuma porta de saída.
E, aliás, é a prova.
 
Questão: as pessoas que querem continuar a semear a nova Terra já estão no Absoluto?
Como isso acontecerá para elas?
 
Vocês acreditam, verdadeiramente, que o Absoluto tenha vontade de semear o que quer que seja?
O que isso quer dizer: «semear»?
É semear novos grãos, é criar novos quadros.
Isso é possível, mas na Liberdade do Absoluto.
O Absoluto não é concernido nem por uma nova Terra, nem por uma antiga Terra.
Nem por esse Sol, nem pelo futuro Sol.
Nem por esse corpo, nem por qualquer outro corpo.
Cabe a vocês ver, as eu não falarei disso.
Esse não é meu objetivo.
 
Se vocês consideram que é seu objetivo, então, coloquem-se a questão de porque vocês consideram que é um objetivo.
Porque vocês querem prosseguir um caminho e uma história.
Uma história sem fim termina e vocês querem recomeçar uma nova história.
Mais bela, é claro, do que a precedente, mais leve.
É sua liberdade, mas isso não é a Liberdade.
 
Vocês têm, sempre, necessidade de crer que é necessário ter uma Terra, um Planeta, que é necessário ter um corpo, que é necessário ter um Sol, que é necessário ter um guia, um Mestre, um pai, uma mãe, um filho.
Mas deem-se conta desse condicionamento.
Deem-se conta disso.
E vocês reclamam a Liberdade.
Olhem, objetivamente.
 
Como vocês querem encontrar o Presente, como querem ser Liberados Vivos, se já estão projetando-se em uma nova Terra, em um novo Sol, em um novo corpo?
Onde está o Absoluto aí?
Vocês ainda estão no caminho.
Vocês creem que há um caminho, creem em uma evolução.
É sua liberdade, mas isso não será, jamais, a Liberdade.
Mudem de ponto de vista e, naquele momento, vocês verão as coisas, claramente.
Não antes.
 
Antes, isso permanece apenas projeções ou interrogações, ilusões.
Vocês são persuadidos de percorrer um caminho, seja do nascimento para a morte, ou em um novo Mundo ou em uma nova Terra que, é claro, existirão para aqueles que continuarem na cebola.
 
Mas eu não estou apto a responder a esse gênero de interrogação.
Eu posso apenas pôr o dedo, alfinetar, aí, onde vocês estão: que não é vocês, que é a ilusão de um caminho, a ilusão de um Mundo novo, mas qual Mundo?
Saiam, mesmo, desse condicionamento.
 
Mesmo os Anciões disseram, eles têm uma forma temporária para realizar algo, eles continuaram na história, na periferia da história, mas é tudo.
 
Questão: quando se vive em casal, a refutação das relações sexuais é suficiente para superar os apegos?

Mas, certamente, não.
Deixe esse saco exprimir o que ele tem necessidade, mas você não é isso.
Você quer mudar as regras da personalidade, enquanto eu lhe digo, sem parar, para mudar de ponto de vista.
Ninguém lhes diz para fazer isso ou aquilo, exceto mudar de ponto de vista.
Não é porque você priva esse saco de alimento ou esse saco mental de nutrir-se ou de uma relação que você vai ser Absoluto.
 
O Absoluto não se importa com circunstâncias do «eu».
O Absoluto não se importa com o que você vive com seus filhos, com seus pais ou com quem quer que seja.
 
Enquanto você crê nisso é, ainda, um ponto de vista do «eu», da pessoa.
Crer que mudando uma circunstância, qualquer que seja, de sua vida, desse saco prova, simplesmente, que vocês estão identificados a esse saco.
 
Eu os farei observar que, a cada conversa, vocês se recolocam, sistematicamente, na pessoa.
Mudar as regras do jogo na cena de teatro, mudar o cenário nada muda no teatro.
A refutação não é rejeitar filhos, marido ou o que quer que seja.
É tomar consciência do efêmero.
 
Ninguém, jamais, pediu para deixar quem quer que seja.
Isso é apenas o reflexo do ego que tenta apropriar-se do Absoluto.
É impossível.
Mesmo se você esteja consciente de que não sonha mais, o outro continuará sonhando.
 
O que é preciso não é romper o que quer que seja, é tomar consciência, mudar de olhar e de ponto de vista, observar isso pelo que é: uma cena de teatro.
Deixar a cena desenrolar-se.
Imagine que você esteja, já, no Si, e que se dirija todos os outros que estão aí, olhando a cena de teatro ou os atores e que você diga a eles: «basta, isso não existe».
 
O que é que vai acontecer?
Você sabe muito bem: haverá reações.
Portanto, nada há a mudar, há apenas a mudar de olhar, de ponto de vista.
São vocês que se deslocam, não a cena de teatro.
 
É uma visão egocêntrica, que puxa tudo para o «eu» e para o Si.
Não é mudando de «eu» ou mudando de Si que vocês vão mudar de olhar.
É simples, tão simples que o ego fará tudo para não ver e encontrar estratégias para tentar evitar esse neant dele mesmo.
Portanto, ele vai mudar as regras do jogo, mudar de parceiro, parar isso, prosseguir aquilo.
Mas isso se desenrola, sempre, na cena de teatro.
Não há qualquer mudança de ponto de vista.
A refutação não é separar-se de.
É destinada a mostrar-lhes o fútil e o ilusório do que é efêmero, de tudo o que é passageiro.
Vocês não são isso: é apenas isso que há a apreender, a perceber, mas nada mais.
Todo o resto são apenas projeções de interpretações de minhas palavras.
 
Questão: há um cristal que facilite a estase, durante sua duração?

O que é um cristal?
Um objeto.
Será que um objeto que reencontra um sujeito põe fim ao sujeito e ao objeto?
Eu não sou concernido por esse gênero de questão.
Ainda menos o Absoluto.
 
É claro que existem interações entre sujeitos (marido e mulher, mãe e filho).
A prova, vocês colocaram questões sobre isso.
Do mesmo modo, existem interações entre um objeto e um sujeito.
Mas, enquanto há objeto, enquanto há sujeito, há distância, mesmo se há ressonância.
 
Então, eu não lhes peço para jogar fora os objetos, mas ver, realmente, as coisas.
E, em seguida, quando vocês falam de um objeto, qualquer que seja, natural ou fabricado, vocês vão dizer, por exemplo: esse objeto é em ouro.
Vocês não vão definir o ouro, vocês vão definir a natureza do objeto, ou seja, a forma.
 
Um anel em ouro não é um colar em ouro, entretanto, continua o ouro.
Enquanto vocês identificam, nomeiam, vocês separam e dividem (seja mamãe, papai, meu filho e uma criança), vocês estão submissos à forma, aos objetos, às imagens.
Vocês estão submissos ao efêmero, ao que seus sentidos percebem.
O Absoluto não tem sentido algum.
Então, eu não posso responder a esse gênero de questão.
 
Questão: é recomendado partir para uma caverna, como Sereti havia dito?
 
Mas a caverna é seu Coração: é a caverna Interior.
Não é uma caverna exterior.
 
Por que fazer?
Não há qualquer lugar para onde partir, exceto extrair-se do «eu», da pessoa e do Si, ou seja, da Ilusão.
Enquanto vocês creem que uma circunstância exterior, um objeto, um sujeito qualquer que seja vai mudar o que quer que seja, vocês se enganam.
 
Nenhuma mudança de percepção, nenhuma mudança de cenário, nenhuma mudança de iluminação mudará o que quer que seja.
Enquanto vocês dependem de uma circunstância, de um sujeito ou de um objeto, de uma história, vocês não estão Livres.
Então, é claro, em uma gruta, vocês estão sós.
Não há sonho dos outros que venha interferir com o seu.
Mas vocês continham a sonhar.
Vocês desencadeiam o quê?
Uma experiência mística.
 
Ou vão, eventualmente, espelhar-se no Si, na projeção desse Amor, fazer disso uma felicidade e um objetivo.
Erro: mesmo se seja satisfatório é, ainda, do ego, é, ainda, a ação de uma pessoa ou do Si.
Mas quem diz Si diz forma, diz identidade.
 
Vocês não superam a identidade, seja em uma caverna ou em uma bolsa, é similar.
Nada há de que fugir, nada há a cortar, nada há a separar, exceto mudar de ponto de vista.
Será que, quando vocês mudam de ponto de vista e de olhar, vocês mudam o que quer que seja na cena?
Não.
 
Vocês querem, a todo custo, mudar a cena, o «eu».
Tranquilizem-se: o «eu» mudará pela Luz, o que quer que vocês pensem disso.
Sua estratégia não deve ser a de querer mudar as regras, mas, simplesmente, mudar de ponto de vista e de olhar.
O Absoluto é o que vocês São.
 
Como é que mudar uma circunstância, uma situação, vai fazer desaparecer a Ilusão?
É uma ilusão.
Vocês acreditam que devem ir de um ponto a outro, acreditam que devem mudar de cenário, porque há coisas que incomodam, nesse cenário, seja o marido, a mulher ou quem quer que seja.
Mas vocês nada compreenderam.
Vocês transpõem a falta no outro.
Qual outro?
Não há mais outro que não vocês.
Para isso, é preciso mudar de olhar, não mudar as coisas.
Deixem as coisas desenrolarem-se, elas não têm necessidade de vocês, o que quer que vocês façam.
Eu estou contente por ver que as últimas resistências exprimem-se em pleno dia.
 
Questão: que significam esses três sonhos?
1. Eu recuso que um cabeleireiro, incompetente, corte meus cabelos.
2. Eu e uma jovem recusamos um orçamento proposto por um empreiteiro para refazer nossa cozinha.
3. Eu recuso o que um homem quer impor-me.
 
Mas pouco importa: são apenas sonhos.
O que você pensa, o que você vive é um sonho.
E, nesse sonho, há outros sonhos.
 
Que vem fazer o sonho no Absoluto?
O sonho é tão afastado do Absoluto como o que você joga quando está acordada.
Incline-se, mais, sobre o que você era, antes de ser uma pessoa e antes de sonhar.
 
O que é que você procura como explicação?
Quem procura a explicação?
Quem quer uma resposta para isso?
Dizer-lhe que são os mesmos, porque todos esses sonhos falam apenas de ornamento, de cenário (sejam os cabelos, a cozinha, o homem)?
São apenas elementos do cenário.
 
Você quer estar submissa ao cenário?
Você quer continuar a manter suas quimeras, a aparência?
A discriminar o que é bom ou não bom, mesmo em uma cozinha?
O importante não é a explicação, mas porque isso existe.
O que é que isso traduz, além da explicação?
Um jogo, uma quimera.
 
Mesmo um sonho profético que se revele ser verdadeiro, qual sentido tem?
O que ele satisfaz?
O que ele implica?
Que você está inserida na pessoa, em uma trajetória, em uma história.
Mas não há qualquer solução no sonho.
Não há qualquer solução na pessoa,
 
Questão: sentir um entorpecimento como se a pele tornasse cartonada ao nível da parte superior da face esquerda, que irradia para o algo e para o nariz, corresponde à abertura do canal mariano?
 
Na pessoa, os Anciões cansaram-se de dar-lhes marcadores, mesmo nessa pessoa, nesse teatro (marcadores formais), sobre a cena de teatro.
 
A mesa não está na cama, ela está na sala de jantar.
Saber que a mesa está na sala de jantar põe as coisas em ordem e permite, em alguns pontos, efetivamente, compreender que é uma cena de teatro.
Então, sim, efetivamente, a mesa está, sim, na sala de jantar, e a cama no quarto de dormir.
O posicionamento dos objetos da pessoa, nesse quadro, permite extrair-se disso.
 
Não é a mesma coisa que, por exemplo, querer saber quem está no Canal Mariano e por que ele não fala com vocês, e por que ele não dá tal sensação?
Portanto, exprimir, de algum modo, sobre essa cena de teatro, uma localização, não é aderir à pessoa, mas, justamente, ver que a pessoa está permeável, totalmente permeável.
 
É, já, mudar de ponto de vista.
É além de toda explicação, de toda compreensão, porque isso não é um julgamento: «eu o sinto bem, eu o sinto mal, eu não o sinto».
Mas é, efetivamente, a percepção, apenas, da boa localização.
É isso que é importante.
É isso que permite, justamente, sair de toda localização.
 
Questão: recentemente, durante uma boa semana, no primeiro instante do acordar, eu podia ver como em câmera lenta, meu mental pôr-se na estrada.
Uma primeira imagem e um filme qualquer apareciam.
Uma segunda, mais densa, ali se colocou.
Depois, vagões juntaram-se sem qualquer lógica ou inteligência aparente.
Depois, o tricô começa e o filme torna-se mais coerente.
Se, nesses primeiros momentos, em volto a dormir, aparece um sonho que se serve dos elementos precedentes e que não tem pé nem cabeça.
A tomada de consciência desses elementos é uma grande força para a refutação do mental na sequência do dia.
Depois de uma boa semana, eu não vivo mais o processo e o mental parece querer recuperar o tempo perdido.
Um conselho para reencontrar esse estado?

O que você descreve é, muito exatamente, o que deve acontecer.
No momento em que vocês emergem do sono, vocês estão virgens de qualquer pensamento, de qualquer saco.
E é aí que vocês podem tomar consciência do aparecimento do corpo, como do aparecimento do mental.
 
Tomar consciência desse momento é capital, como você diz.
Porque é o que lhe é dado a ver, justamente, quando você mudou de ponto de vista e de olhar.
Quando esse momento é identificado, é reencontrar, realmente, o que você É, mesmo se isso não se instale duradouramente.
Mas ter tomado a consciência disso e tê-lo vivido é a única verdade, o único lugar no qual você pode reencontrar o que você É, mesmo se isso não dure.
Porque é preciso que o saco de alimento e o saco mental continuem a viver.
Mas viver isso é, já, tomar uma forma de distância com o ilusório e o efêmero.
Isso se reproduzirá, sem qualquer dúvida.
 
Mas, quanto mais você se impregna do que você É, antes que o corpo se mova, antes que o mental chegue: é, muito exatamente, isso que é sua natureza.
O Absoluto está aí.
 
Depois, vem o observador, aquele que observa, mesmo, o que se desenrola.
Mas o momento em que você acorda e no qual você vive isso é a ausência de observador que está escondido atrás.
Você ali está.
Portanto, não se inquiete, não se apegue, tampouco, ao desaparecimento desse estado.
Ele voltará.
 
Porque, a partir do instante em que, pela primeira vez, essa mudança de olhar é vivida, você sabe, pertinentemente, que é a Verdade.
Você vê disso, aliás, os efeitos, como você diz, no desenrolar de seu dia.
É, muito exatamente, esse estado, para além de todo estado, que acontece ao acordar, quando você não sabe mais se você está em um corpo, quando não há pensamento e quando, no entanto, você Está aí.
Mas você Está, ali, despojado de todo o efêmero.
 
Aí está o Absoluto.
Aí está o que você É.
O que demonstra, com isso, que aqueles que querem mudar disso ou daquilo, estritamente, nada compreenderam.
 
O mental/ego faz obstáculo: ele quer continuar a jogar.
Esses momentos são essenciais, porque são eles que o conduzem ao que você É, quando você se apercebe que você É, independentemente de um corpo, de uma história, de uma memória e de um mental.
Mas isso não impede esse corpo de existir, nem mesmo o mental de ser, nem os objetos e os sujeitos ao redor de vocês, de ser.
Simplesmente, aí, efetivamente, o olhar, o ponto de vista mudou e, portanto, toda a vida mudou, mesmo se, efetivamente, há a possibilidade de voltar à personalidade ou ao Si: mas isso é, realmente, vivido como um jogo.
 
Não há mais qualquer apego, não pode mais haver sofrimento, mas, simplesmente, um jogo.
É esse momento que vocês devem procurar e identificar.
Não como uma busca, Interior ou exterior, mas aproveitar que o saco de alimento e mental não existem.
 
Quando vocês fecham os olhos, será que o mundo existe?
Não.
Quando você dorme, será que sabe onde estão seus filhos?
Não.
A menos que tenha sonhos recorrentes.
Será que, quando você dorme, coloca-se a questão do sexo ou do tabaco?
O Absoluto é a interface entre o sono e o acordar da manhã.
 
Se vocês conseguem estar aí, vocês ali São e toda sua vida será diferente, sem nada querer mudar.
Porque não é mais sua vontade pessoal ou o espelhamento do Si que vai agir, é outra coisa.
 
Questão: a sedução faz parte das linhas de predação dos primeiro e segundo chacras ou ela é um aspecto da personalidade?

Eu diria os três, ao mesmo tempo.
Toda noção de sedução passa por um dos sentidos ou por uma ideia.
É virtual.
Isso mantém, necessariamente, todos os corpos grosseiros.
A sedução consiste em puxar para si.
 
Qual é o objetivo da sedução, qualquer que seja?
É prosseguir a Ilusão.
O Amor não é uma sedução.
É um estado, para além de todo estado.
Ele não será, jamais, uma projeção de um ideal para com uma pessoa, para com uma sociedade ou para com o que quer que seja ou quem quer que seja.
 
A sedução, quaisquer que sejam os aspectos agradáveis dela, conduz apenas ao ilusório, porque o que foi seduzido um dia será rejeitado, no outro dia.
É inevitável.
 
Só uma ideia pode seduzi-los mais tempo do que um objeto ou um sujeito, do que uma pessoa.
E a sedução, por um ideal (que é, também, uma projeção), pode durar toda a vida, ou mesmo todas as vidas.
Mas isso nada muda,
Porque toda sedução, em definitivo, é apenas o reflexo da falta de Amor e da incompreensão do Amor e da não vivência do Amor.
 
O Amor É.
Ele não se acompanha de qualquer sedução, de qualquer laço, de qualquer posse, de qualquer caminho.
É a projeção do Amor que cria isso.
Mas a projeção do Amor é apenas a projeção de faltas.
Porque aquele que É Amor, que É Absoluto, estritamente, nada tem a projetar, nem a seduzir.
 
Sendo Amor, você tem apenas que Ser esse Amor.
O fato de amar é, já, uma projeção: é considerar que há emissão.
É considerar que há uma ação.
É considerar que há uma falta.
Eu os lembro de que vocês são o que procuram.
Eu os lembro de que não há caminho.
Eu os lembro de que vocês São Amor.
É isso, mudar de ponto de vista e vivê-lo e, mesmo, encarná-lo, se querem.
 
Questão: teremos, ainda, necessidade de órgãos sensoriais?

Aí está, ainda, o exemplo típico de uma pessoa que crê que vai reencontrar suas deficiências, seus amores, sua casa, suas vestimentas, seus alimentos.
 
Como imaginar uma coisa parecida?
Como ousar pensar que isso possa prosseguir?
Nada é levado, após a Passagem.
Absolutamente nada.
 
É, já, o caso quando o saco de alimento desaparece normalmente.
O que vocês creem levar?
Um órgão, um marido, uma mulher, um filho, uma vestimenta, qualquer objeto que seja?
São fantasias.
 
Só aquele que é Absoluto sabe, porque ele o vive.
Ele sabe que está em um saco de alimento e mental.
Ele sabe que há outros sacos, interações de sacos, em todos os níveis.
Mas ele não é isso.
Por que ele levaria o que ele não é?
Por que pensar nesse gênero de coisas?
Por que imaginar, mesmo, esse gênero de coisas?
 
Como vocês querem ser Absolutos ou como querem viver esse Desconhecido (porque vocês não o conhecem), levando o que quer que seja que lhes é conhecido, uma vez que tudo o que lhes é conhecido é efêmero?
Vocês acreditam que vão levar seus colares, seus anéis?
Vocês acreditam que vão levar suas afeições, suas relações?
Quem pensa isso?
Quem imagina isso, se não é, justamente, o que é limitado, mas limitado em todos os sentidos, profundamente limitado?
E, no entanto, vocês têm a experiência disso, para aqueles que os deixaram (que estão mortos): será que eles levaram o menor objeto, a menor pessoa?
O que resta?
A dor, a lembrança, a memória.
Mas, em vocês, não neles.
O que é que quer, em vocês, prender-se ao conhecido?
O que é que quer, em vocês, imaginar uma solução de continuidade?
Coloquem-se essa questão e olhem-se.
Prossigamos.
 
Questão: «do outro lado», nós nos beneficiaremos de um aprendizado?

Mas a Luz é Inteligência, Total, Absoluta, Instantânea, sem tempo, sem futuro e sem passado.
O único aprendizado é reconhecer isso, ou seja, que o condicionamento do ilusório foi tal, que – olhem, através de suas questões – vocês imaginam levar deficiências, imaginam levar lembranças.
É a pessoa que considera isso.
Portanto, o único aprendizado é como quando vocês permanecem no escuro muito tempo: quando saem do escuro, a luz ofusca-os.
É exatamente a mesma coisa.
 
Tudo aquilo a que vocês deram certa forma de persistência, em suas ilusões, em suas crenças, poderá incomodá-los certo tempo.
Isso pode ser chamado um aprendizado.
Mas aquele que é Absoluto em uma forma não tem necessidade de qualquer aprendizado, porque ele conhece a Verdade.
Ele É a Verdade.
 
No período em que vocês estão nesse saco de alimento e mental, o que vocês creem, aquilo a que aderem, tem vocês.
E, mesmo quando isso não os têm mais, vocês persistirão a ali terem-se.
Aí está o aprendizado: compreender que não há mais joias, mais casas, mais encanamentos, mais maridos.
Vocês sabem, é como os atores: não há mais ninguém que olhe o teatro, todo mundo saiu e eles querem continuar a atuar.
Eles estão tão absorvidos em sua própria ilusória criação que é preciso, eu diria, não um aprendizado, mas um descondicionamento.
Há, efetivamente, uma forma de aprendizado, eu diria, de lados da Luz que não são regras nem leis.
Imaginar que, chegando na Luz, vocês passam seu tempo a recriar relações, objetos, filhos, casas e não seu o que mais?
Há os que fazem isso.
Aí, é preciso descondicionar-se.
 
Vocês estão tão absorvidos nos jogos, que creem que os jogos estão presentes por toda a parte.
É como para os olhos ou os sentidos: quantas vezes os Anciões, as Estrelas disseram que vocês não têm necessidade dos olhos para ver?
Isso lhes parece tão incongruente, tão impossível e, no entanto, é a estrita Verdade.
Vocês estão subjugados por seus sentidos, nesse saco.
Os sentidos são limitados e eles os limitam.
O Absoluto é Ilimitado, como a Luz.
Vocês não têm necessidade de sentido na Luz, porque a Luz É o sentido.
Vocês não têm necessidade de apêndices: vocês não têm necessidade de mãos nem de cérebro.
Deem-se conta do condicionamento que é o seu: vocês estão em um corpo perecível e imaginam que há coisas (desse corpo, desse mental, dessa pessoa) que vão persistir.
 
É maravilhoso.
É, antes, um pesadelo.
Mudem de ponto de vista.
Parem de imaginar que há uma persistência qualquer do que quer que seja.
Lembrem-se do momento do acordar, pela manhã, quando não há, ainda, consciência do corpo, nem pensamento: vocês são isso.
 
Questão: «do outro lado», haverá reagrupamentos por afinidades?
 
Mas vocês não têm necessidade de reagrupar-se do outro lado, uma vez que se comunicam além do tempo e do espaço.
Vocês não estão atribuídos a uma forma, a qualquer limite, a qualquer percepção, tal como vocês os concebem.
Portanto, se vocês querem reagrupar-se a todos os planetas, a todos os sistemas solares, a todas as Dimensões, vocês o São, sem esforço, espontaneamente.
Não há qualquer movimento.
 
Questão: no momento da «partida», estaremos conscientes?

Mas não unicamente vocês estarão conscientes, mas vocês Despertarão.
É agora que vocês dormem.
É agora que vocês estão mortos.
 
No momento do que vocês chamam a Ascensão, vocês se tornarão conscientes.
Vocês não o estão, vocês creem estar.
Vocês sonham.
Vocês se projetaram em um saco, que apareceu um dia, que desaparecerá outro dia.
 
É, justamente, quando a ilusão desaparece que o Eu Sou aparece, em sua Glória e que o Absoluto pode ser vivido como a Única e Última Verdade.
Portanto, vocês estarão conscientes do que vocês São, e não do que vocês acreditavam.
Se, contudo, o que vocês creem é mais forte do que a consciência do que vocês São, aí, haverá descondicionamento.
 
Vocês sabem, desse lado, na encarnação, nada há de pior do que aquele que não pode ver ou não quer ver.
Mas eu não falo de ver com os olhos, eu falo, sempre, da mudança de ponto de vista e de olhar.
A prova disso está nas questões.
Vocês imaginam, todos, uma solução de continuidade, mas nada pode continuar, uma vez que nada, jamais, começou.
O que vocês querem que continue?
Aí está a consciência, não nas projeções e no sonho.
 
Questão: como você explica a necessidade de jogar jogos no computador e olhar filmes para ocupar o mental?

Isso se chama o Eixo ATRAÇÃO-VISÃO.
É a falsificação, a sedução, o que é visto, o gozo imediato, o prazer imediato.
Não há outra solução que não a de não mais aderir e não há meio para ali chegar.
Então, vocês têm, é claro, drogas, vocês têm descondicionamentos, lugares especializados para isso.
Deem-se conta do nível de condicionamento.
 
O que vocês São, Absoluto, que se envolve em um jogo ilusório, uma vez que é uma imagem.
Isso mostra, simplesmente, o medo, em um nível extremo.
 
E, aliás, os Anciões disseram: tudo o que existe aqui, aí onde vocês estão, é apenas construído sobre o medo, sobre a falta, a ignorância.
Então, sistemas de conhecimentos foram construídos para cercar a ignorância, como para os princípios de sedução, os filmes, os jogos.
 
E vocês queriam que isso continuasse?
Mas eu não tenho solução.
É preciso dirigir-se a uma pessoa que tem autoridade nisso, o que vocês chamam um médico, um terapeuta.
Mas eu nada posso para aquele que faz isso.
Ele submeteu-se, ele mesmo, aos seus maiores medos, aqueles do desaparecimento da pessoa.
 
A única solução, aí também, a mais lógica, é não mais estar no ponto de vista da pessoa.
A que vocês dão corpo?
A qual desejo vocês sucumbem?
Com o que vocês se envolvem?
Olhem.
Ousem olhar-se.
Sem julgar-se, sem condenar.
Como vocês podem julgar ou condenar o que não existe?
É absurdo.
 
Não temos mais perguntas, agradecemos.

Então, BIDI agradece-lhes por sua Atenção, por sua escuta benevolente.
E vivamos um momento no Nada que, para vocês, é nada.
Mudem de olhar.
Façamos isso, juntos.
 
... Partilhar da Doação da Graça...
Bem, BIDI saúda-os.
Até breve.


************


Mensagem do Venerável BIDI no site francês:
http://www.autresdimensions.com/article.php?produit=1599
05 de setembro de 2012
(Publicado em 06 de setembro)


***


Versão do francês: Célia G. http://leiturasdaluz.blogspot.com.br/
 
***

Edição: Andrea Cortiano

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