Jiddu Krishnamurti (IRMÃO K)

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"Tudo o que tenho a dizer-vos é que os deuses, os mestres, os guias, não são absolutamente necessários para atingirdes a libertação."

"O essencial é que vos torneis livres e fortes e não o podereis fazer se tendes mediadores acima de vós. Não podeis ser livres e fortes se me tomardes para Mestre. Não é isso o que eu quero e sim tornar-vos fortes e livres não pelo êxtase, mas por uam reflexão atenta e deliberada, após uma longa pesquisa. Só esta certeza interior poderá destruir em vós todas as deformações do irreal"

"Eu nego que a verdade possa achar-se através dos outros, por muito maravilhosas que sejam tais pessoas e as suas organizações. A totalidade absoluta não pode ser realizada senão pelo vosso esforço pessoal".

"Observei pessoas que levavam uma vida regrada, que se levantavam a horas certas, que se alimentavam de acordo com a maneira prescrita por um pretenso ser espiritual, e que não pensavam aquelas coisas que que lhes foram proibidas. Eu as observei e vi que faltava aquilo que traz a frescura da vida. Não é impondo-se limites, observando de maneira ininteligente e estreita disciplinas mesquinhas, que se atinge o fim. A Verdade é independente do que comeis, da maneira pela qual meditais e do caminho que seguis para alcançar a compreensão."

"As religiões são obstáculo ao entendimento e a Verdade é um país sem caminhos".

"Eu segui o santuário que vós seguis, com as vossas mediações e cerimônias. E como passei por todas essas coisas eu vos digo: - deixai-as de lado! Como sofri e também fui cativo eu vos digo: - deixai essas coisas de lado, elas não auxiliam. A Verdade é uma terra sem caminhos, porque ela é o Todo".






Nascimento 11 de Maio de 1895 - Madanapalle
Morte 17 de Fevereiro de 1986 (90 anos) - Ojai
Ocupação filósofo, escritor.

Jiddu Krishnamurti (telugu: జిడ్డు కృష్ణ మూర్తి) (Madanapalle, 11 de maio de 1895 - Ojai, 17 de fevereiro de 1986) foi um filósofo e místico indiano. Entre seus temas estão incluídos revolução psicológica, meditação, conhecimento, relações humanas, a natureza da mente e a realização de mudanças positivas na sociedade global. Constantemente ressaltou a necessidade de uma revolução na psique de cada ser humano e enfatizou que tal revolução não poderia ser levada a cabo por nenhuma entidade externa seja religiosa, política ou social.

Com seus três irmãos, os que sobreviveram de um total de dez, acompanhou seu pai Jiddu Narianiah a Adyar em 23 de janeiro de 1909, pois este conquistara um emprego de secretário-assistente da Sociedade Teosófica, entidade que estuda todas as religiões. Reza a tradição brâmane, a qual a família era vinculada, que o oitavo filho toma no batismo o nome Krishna, em homenagem ao deus Sri Krishna, de quem a mãe, Sanjeevamma, era devota; foi o que aconteceu com Krishnamurti, a quem foi dado o nome de Krishna, juntamente com o nome de família, Jiddu.

Com a idade de treze anos, passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava um dos grandes Mestres do mundo. Em Adyar, Krishnamurti, foi 'descoberto' por Charles W. Leadbeater, famoso membro da Sociedade Teosófica (ST), em abril de 1909, que, após diversos encontros com o menino, viu que ele estava talhado para se tornar o 'Instrutor do Mundo', acontecimento que vinha sendo aguardado pelos teosofistas. Após dois anos, em 1911 foi fundada a Ordem Internacional da Estrela do Oriente, com Krishnamurti como chefe, que tinha como objetivo reunir aqueles que acreditavam nesse acontecimento e preparar a opinião pública para o seu aparecimento, com a doação de diversas propriedades e somas em dinheiro.

Krishnamurti assim foi sendo preparado pela ST; algo, porém, iniciou sua separação de seus tutores: a morte de seu irmão Nitya em 13 de novembro de 1925, que lhe trouxe uma experiência que culminou em uma profunda compreensão. Krishnamurti em breve viria a emergir como um instrutor espiritual, e dito Mestre extraordinário e inteiramente descomprometido. As suas palestras e escritos não se ligam a nenhuma religião específica, nem pertencem ao Oriente ou ao Ocidente, mas sim ao mundo na sua globalidade:

"Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (…) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação. (…)"

Durante o resto da existência, foi rejeitando insistentemente o estatuto de guia espiritual que alguns tentaram lhe atribuir. Continuou a atrair grandes audiências por todo o mundo, mas recusando qualquer autoridade, não aceitando discípulos e falando sempre como se fosse de pessoa a pessoa. O cerne do seu ensinamento consiste na afirmação de que a necessária e urgente mudança fundamental da sociedade só pode acontecer através da transformação da consciência individual. A necessidade do autoconhecimento e da compreensão das influências restritivas e separativas das religiões organizadas, dos nacionalismos e de outros condicionamentos, foram por ele constantemente realçadas. Chamou sempre a atenção para a necessidade urgente de um aprofundamento da consciência, para esse "vasto espaço que existe no cérebro onde há inimaginável energia". Essa energia parece ter sido a origem da sua própria criatividade e também a chave para o seu impacto catalítico numa tão grande e variada quantidade de pessoas.

A educação foi sempre uma da preocupações de Krishnamurti. Fundou várias escolas em diferentes partes do mundo onde crianças, jovens e adultos podem aprender juntos a viver um quotidiano de compreensão da sua relação com o mundo e com os outros seres humanos, de descondicionamento e de florescimento interior. Durante sua vida, viajou por todo o mundo falando às pessoas, tendo falecido em 1986, com a idade noventa anos. As suas palestras e diálogos, diários e outros escritos estão reunidos em mais de sessenta livros.

Reconhecendo a importância dos seus ensinamentos, amigos do filósofo estabeleceram fundações, na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina e na Índia, assim como Centros de Informação, em muitos países do mundo, onde se podem colher informações sobre Krishnamurti e a sua obra. As fundações têm carácter exclusivamente administrativo e destinam-se não só a difundir a sua obra mas também a ajudar a financiar as escolas experimentais por ele fundadas.

Pensamentos

"O problema por conseguinte, é este: para que o homem possa transformar-se radicalmente, fundamentalmente, torna-se necessária uma mutação nas próprias células cerebrais de sua mente. Dizem-nos que devemos mudar, que devemos agir, que devemos transformar nossa mente, nosso coração, tornar-nos uma coisa totalmente diferente. Isso vem sendo pregado há milhares de anos por homens muito sérios, muito ardorosos, e também por charlatães interessados em explorar o povo. Mas, agora, chegamos ao ponto em que não há mais tempo a perder. Compreendei isto por favor. Não dispomos de tempo para efetuar gradualmente tal transformação. Os intelectuais de todo o mundo estão reconhecendo que o homem se acha à beira de um abismo, na iminência de destruir a si próprio. Nem religiões, nem deuses, nem salvadores, nem mestres, nem as lenga-lengas dos gurus, poderão impedi-los. Dizem os intelectuais ser necessário inventar uma nova droga, uma 'pílula dourada' capaz de produzir uma completa transformação química; e os cientistas provavelmente descobrirão esta droga. Não sei se estais bem a par dessas coisas. Ora conquanto o organismo físico seja um produto bioquímico, pode uma droga, uma superdroga fazer-vos amar, tornar-vos bondosos, generosos, delicados, não violentos?"

"Não o creio; nenhum preparado químico pode fazer os homens amarem-se uns aos outros. O amor não é um produto do pensamento; também não é cultivável, como a flor que cultivamos em nosso jardim. O amor não pode ser comprado numa drogaria, e o amor é a única coisa que poderá salvar o homem - e não os artifícios das religiões, nem seus ritos, nem todos os exércitos do mundo. Podemos fugir, assistindo a concertos, visitando museus, entregando-nos a divertimentos de toda ordem - debalde! - porque o homem se acha hoje em dia em presença de um tremendo problema: se tem a possibilidade de transformar-se radicalmente, de efetuar uma total mutação de sua consciência, não amanhã, nem daqui a alguns anos, mas agora! Eis o problema principal: se o homem, em qualquer país que viva, com todas as suas belezas naturais, é capaz de operar uma mutação radical em seu interior, imediatamente. E não podeis resolvê-lo com vossas crenças, vossas ideologias, vossos deuses, salvadores, sacerdotes e rituais. Essas coisas já não tem o menor significado."

"Podemos ir longe, se começarmos de muito perto. Em geral começamos pelo mais distante, o "supremo princípio", "o maior ideal", e ficamos perdidos em algum sonho vago do pensamento imaginativo. Mas quando partimos de muito perto, do mais perto, que é nós, então o mundo inteiro está aberto — pois nós somos o mundo. Temos de começar pelo que é real, pelo que está a acontecer agora, e o agora é sem tempo. "

"Meditação é libertar a mente de toda desonestidade. O pensamento gera desonestidade. O pensamento, no seu esforço para ser honesto, é comparativo e, portanto, desonesto. (…) Meditação é o movimento dessa honestidade no silêncio "

"Estou apenas a ser como um espelho da vossa vida, no qual podeis ver-vos como sois. Depois, podeis deitar fora o espelho; o espelho não é importante. "

"… Falamos da vida — e não de idéias, de teorias, de práticas ou de técnicas. Falamos para que olhe esta vida total, que é também a sua vida, para que lhe dê atenção. Isso significa que não pode desperdiçá-la. Tem pouquíssimo tempo para viver, talvez dez, talvez cinquenta anos. Não perca esse tempo. Olhe a sua vida, dê tudo para a compreender."

Livros publicados
* A Busca (Poemas)
* Cartas às Escolas
* Comentários Sobre Viver
* O Despertar da Sensibilidade
* Diálogos Sobre a Vida
* Diálogos Sobre a Visão Intuitiva
* Diário de Krishnamurti
* Vida e Morte de Krishnamurti
* A Educação e o Significado da Vida
* A Eliminação do Tempo Psicológico
* Ensinar e Aprender
* A Essência da Maturidade
* Fora da Violência
* O Futuro da Humanidade
* O Futuro é Agora
* Libertação dos Condicionamentos
* Liberte-se do Passado
* O Mistério da Compreensão
* O Mundo Somos Nós
* Novo Acesso à Vida
* Novo Ente Humano
* Novos Roteiros em Educação
* Onde Está a Bem-Aventurança
* O Passo Decisivo
* Palestras com Estudantes Americanos
* A Primeira e Última Liberdade
* A Questão do Impossível
* A Rede do Pensamento
* Reflexões Sobre a Vida
* Sobre o Amor e a Solidão
* Sobre o Aprendizado e o Conhecimento
* Sobre o Conflito
* Sobre Deus
* Sobre Liberdade
* Sobre o Medo
* Sobre a Mente e o Pensamento
* Sobre a Natureza e o Meio Ambiente
* Sobre Relacionamentos
* Sobre a Verdade
* Sobre a Vida e a Morte
* Sobre o Viver Correto
* Uma Nova Maneira de Agir
* O Verdadeiro Objetivo da Vida
* O Vôo da Águia
* Acampamento em Omnen,Holanda 1937/38
* Aos pés do Mestre

SITES EXTERNOS
* Cuidar do Ser
http://www.cuidardoser.com.br/coletanea-krishnamurti.htm

* Instituição Cultural Krishnamurti
http://www.krishnamurti.org.br/


* Krishnamurti
http://www.krishnamurti.com.br/


* Homepage da Krishnamurti Foundation of America - KFA
http://www.kfa.org/

* Krishnamurti e da crise mundial (Inglês)
http://krishnamurtiworldcrisis.googlepages.com/


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jiddu_Krishnamurti

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SOBRE A MENSAGEM DE KRISHNAMURTI



Krishnamurti –
Editora SOMA - São Paulo - 1984
Páginas 87 à 90


Krishnamurti centraliza todo o seu ensino num insistente convite à inteligência. Não há na sua men­sagem nenhum tabu. Nada oferece de misterioso, nada apresenta para ser adotado e seguido por outrem. Todo o seu apelo consiste em despertar a criatura para que possa livre de tutelas espirituais, fazer uma autocrítica de todos os falsos valores que adotou.

Não nos trazem novas preces, novas disciplinas espi­rituais, novas submissões. Todo o seu convite se corporifica na luta que cada um deve assumir contra o temor. Foi o medo que criou os deuses, as igrejas e todas as explorações. E tudo isso é gerado pela incompletude do homem. Ele nos fala sempre da liberdade, com­preensão, felicidade e entendimento. A palavra vida enche todo o seu ensino. A sua mensagem, sobretudo é um convite à vida no presente, imediato, no agora, e não e nunca num futuro distante como fazem todos os credos. A vida de cada instante encerra a totalidade. E tudo isso se opõe ao que pensa a maioria. Todos fogem do momento imediato, procurando toda sorte de fugas. Ele insistentemente nos diz que é preciso romper com o passado e com o futuro para viver o agora, de maneira feliz e completa. Krishnamurti veri­ficou que o mundo dorme. O ópio lançado na alma humana pelos professores da espiritualidade, pelos negociantes da verdade, foi em largas doses e o mundo vem a custo ensaiando seus primeiros passos numa jornada sangrenta mas vitoriosa.


Dizia Ouspenky, psicólogo russo, que ninguém está acordado, o que todos fazem é dormir.

Krishnamurti quer acordar o indivíduo do sono dos séculos, quer arrancá-lo do pesado fardo que carrega, expresso como subconsciente individual e coletivo, para que possa encontrar-se a si mesmo, e integrar-se na vida. Esta vida que é eterna, que é a fonte e o fim, o começo e o nada e, portanto, sem fim, nem começo. Esta vida que pertence a tudo e a todos, e que é a cada instante a totalidade de tudo que há. Há uma verdade incondicionada, sem rótulos, nem credos, nem doutri­nas, que é a compreensão inteira da vida mesma. Essa verdade ultérrima é impessoal, é dinâmica como a vida caminhante, que jamais estagna, que não tem futuro, nem passado, porque é sempre presente.

O indivíduo é uma parte dessa vida total e sua união com o universal Krishnamurti a denomina de libertação, que só se dá quando o indivíduo transpõe as barreiras da própria separatividade, constituídas pelo "eu", ou personalidade.

O "eu" é o passado. Desde que o indivíduo des­perta, dissolve-se a si mesmo. Quer dizer que a Vida existente em cada ser só pode expressar-se com pleni­tude quando o ego deixar de existir, quando cai a últi­ma barreira de separatividade e a criatura torna-se um foco de luz, iluminando tudo que a cerca, tornando-se a manifestação humana, consciente, da vida universal. Krishnamurti chama essa vida também de deus. São dele estas palavras: By God I do not mean the God of traditions, but the God that is in each one, and that God can only be realized through the fullfilment of life. In other words, there is no God except the God manifest in man purified, made perfect. (The Coming Dawn — in The Star, Fevereiro de 1929).

"Eu tenho dito — continua — que há somente deus manifestado em vós e eu prefiro chamá-lo Vida. Liber­tando essa vida limitada, atingireis esta suprema inteligência sem limite, que fica para além do pensamento. Se considerais a Vida como essa inteligência em lugar de procurar algum ser sobre-humano e longínquo, então essa Vida mesma será para vós uma inspiração. A vida é deus, liberdade, e todas as coisas. Na sua plenitude está a perfeição". Mas o homem criou deuses pelo temor - ele explica — e qualquer povo pode destruir a idéia de deus, mas enquanto o temor existir nascerão outros deuses.

O "eu" é a muralha autodefensiva que nos separa da realidade. Ele tem horror ao presente e por isso procura sempre refúgios para manter a sua conti­nuidade.

É ele que cria todas as limitações, todos os refú­gios, todas as sutilezas geradoras de confusão e atrito. Quando o indivíduo desperta rompe com o passado, com todos os obstáculos, limitações e seitas. São estas coisas que segregam o indivíduo do todo, quando a fina­lidade da existência é a integração do indivíduo na vida universal. A princípio temos vislumbres dessa reali­dade, e então prelibamos a felicidade inexprimível do que seja o contato vivo, permanente, sem muralhas, com o Todo.

Esses vislumbres são rápidos contatos com a grande realidade, quando eles se tornam permanentes há o deslumbramento do ser e o contato vivo com o eterno vir a ser da vida universal. Nesse caso o indivíduo deixa de viver entre muralhas para ser uno com o mundo. Varre de si o sonho de que é parte autônoma e reconhece em si e no todo a mesma alma, a mesma essência, a mesma vida. A personalidade do ego edifi­cada nas areias do tempo foi dissolvida pelas águas da eternidade. E a vida deixa de ter além e aquém para só ter agora, porque o presente encerra a eternidade. Vivamos, pois, o momento que passa. Renunciar ao presente imediato é fugir e não entender. É um pretexto para continuar a sonhar. É a continuação do egoísmo que fez a vida social cruel e má.

A causa do conflito está na luta cruel, e titânica, existente entre a vida universal, cotidiana, incondicio­nada, dinâmica e plástica e a atitude que assumimos diante dela, porque nos apoiamos como meio autodefensivo sobre o passado cheio de afirmativas condicio­nadas, repleto de ilusões, sentimentos de posse e múl­tiplas particularidades. O conflito está aí — queremos sufocar a realidade presente com as sombras do pas­sado. A amplificação do "eu", que é separação, não pode conduzir ao universal. Á libertação não é a amplifi­cação do "eu", mas o desgaste do sentimento de separação.

Isso significa que a libertação é a extinção da sepa­ratividade e, portanto do ego. Quando o "eu" se quebra como uma bola de espuma, disse o Buda, seu conteúdo será conservado e viverá, na verdade, a vida eterna. Ou então como diz Krishnamurti: integrar-se no pre­sente sem lhe interpor o passado, que é o "eu", ou o futuro, que é ainda a sua continuação, é atingir a realidade, a perfeição verdadeira e absoluta.

O ser diz: eu sou vida. O “eu” diz: eu sou eu! O ser é indiferenciado, é universalidade, é uno com a vida total. O “eu” é separação. Todo o drama da existência se desenrola entre o ser que quer recuperar a sua liberdade e o “eu” que quer prolongar o seu enjaulamento.

Francisco Ayres

fonte: http://www.cuidardoser.com.br/sobre-a-mensagem-de-krishnamurti.html


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"Tudo o que tenho a dizer-vos é que os deuses, os mestres, os guias, não são absolutamente necessários para atingirdes a libertação."


“Não sei quem sou. 

A água não sabe água o que a água é.”


Jiddu Krishnamurti e a verdade

Jiddu Krishnamurti nasceu em maio de 1895, na India. Foi educado dentro da Sociedade Teosófica e tratado como veículo para encarnação do Messias, do Bodhisatwa Maitreya. Para isso foi colocado como chefe da Ordem da Estrela do Oriente. Em agosto de 1929, aos 34 anos, dissolveu a Ordem da Estrela e seguiu seu caminho único. Excertos do discurso que proferiu então:
Sustento que a verdade é uma terra sem caminho, e você não pode aproximar-se dela por nenhum caminho, por nenhuma religião, por nenhuma seita. Este é meu ponto de vista e eu o sigo de modo absoluto e incondicional. Não tendo limites, não sendo condicionada e não sendo acessível por nenhuma espécie de caminho, a Verdade não pode ser organizada; nem se deve formar nenhuma organização para levar ou forçar as pessoas a enveredar por determinado caminho...
Se vocês criam uma organização com esse propósito, ela se tornará uma muleta, uma fraqueza, uma servidão, mutilará o indivíduo e o impedirá de crescer, de firmar sua unicidade, que reside no descobrimento, para si mesmo, da Verdade absoluta, não-condicionada...
A partir do momento em que vocês seguirem alguém, vocês deixarão de seguir a Verdade. Não me preocupa saber se vocês prestam ou não atenção ao que digo. Quero fazer certa coisa no mundo e vou fazê-la com pertinaz concentração. Só me preocupa uma coisa essencial: libertar o homem. Desejo libertá-lo de todas as gaiolas, de todos os temores, e não fundar religiões, novas seitas, nem estabelecer novas teorias e novas filosofias...
Porque sou livre, não-condicionado, total, não a parte, não o relativo, mas a √erdade total, que é eterna, desejo que os que procuram compreender-me sejam livres, não me sigam, não façam de mim a gaiola que se converterá em religião, em seita. Desejo que sejam livres de todos os medos - do medo da religião, do medo da salvação, do medo da espiritualidade, do medo do amor, do medo da morte, do medo da própria vida...
Todos vocês dependem, para sua espiritualidade, de outra pessoa; para a sua felicidade, de outra pessoa, para sua iluminação, de outra pessoa... Quando digo: busquem dentro de vocês a iluminação, a glória, a purificação e a incorruptibilidade do Ser, nenhum de vocês se dispõe a fazê-lo...
Mas os que realmente desejam compreender, que estão buscando o eterno, o sem começo e sem fim, caminharão juntos com maior intensidade, serão um perigo para tudo o que não é essencial, as irrealidades e as sombras. E eles se concentrarão, tornar-se-ão a chama, porque compreendem. Tal é o corpo que precisamos criar e tal é o meu propósito. Por causa dessa amizade verdadeira haverá uma cooperação verdadeira da parte de cada um. Não em virtude da autoridade, não em virtude da salvação, mas porque compreendem realmente e, portanto, são capazes de viver no eterno. Isto, sim, é maior que todo o prazer, do que todo o sacrifício...
Meu único propósito é tornar o homem absoluta e incondicionalmente livre.
E seguiu percebendo e sustentando a Verdade com total compromisso e integridade. Por mais 56 anos viajou pelo mundo, sendo e falando, escrevendo e encontrando muita gente. Seus livros são publicados no Brasil pela Instituicão Cultural Krishnamurti e pela Editora Cultrix. Morreu em fevereiro de 1986, aos 90 anos de idade, na California. Sua última palestra havia sido em janeiro, em Madras. Há quem diga que ele é Aquele que foi anunciado
documentario sobre krishnamurti em 3 partes:

Enviado em 12/10/2009documentário sobre um homem que falava de liberdade, amor, compreensão, lucidez e o conhecimento de si próprio, coisas que interessam aos que se cansaram da ilusão.


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Adicionar legenda


VIDA E MORTE DE KRISHNAMURTI
“Não sei quem sou. A água não sabe água o que a água é.”

Krishnamurti em conversa com Mary Lutyens in The Open Door.

Em março de 1983, o descobridores da vacina contra a pólio, Dr. Jonas Salk, visitou Jiddu_Krishnamurti em Ojai, na Califórnia, para gravar com ele uma entrevista em vídeo. “Ouvi o sr. dizer uma vez”, disse o Dr. Salk “que há pessoas capazes de ajudar as outras com suas qualidades excepcionais”. Krishnamurti respondeu: “Ninguém pode guiar ninguém, nem dizer-lhe o que deve fazer, e nada disso faz sentido. Mas como o sol, algumas pessoas podem trazer luz e calor. E quem quiser ficar ao sol, que fique. Os que preferirem a sombra, que permaneçam nela”.
- Esse é o tipo de iluminação de que falava?, pergunta Salk.
- Essa é a única iluminação que existe, responde Krishnamurti.
O mundo inteiro ouviu falar uma vez ou outra em Jiddu Krishnamurti, e cada geração, nas últimas sete décadas, escutou uma espécie de história a seu respeito. Há exatamente cinco anos (1986), quando ele morreu em sua casa nas montanhas da Califórnia, de milhares de perguntas respondidas em sua longa e produtiva existência, uma permanecia sem resposta: quem foi esse homem que nunca falou a respeito de si mesmo nos seus 90 anos de vida, embora tivesse falado e escrito incessantemente sobre o medo e a dor, a morte e o prazer, o silêncio e a superstição, o uso das religiões pelo homem como biombo e fuga, a arrogância, a avidez e a ânsia de poder?
Antes de morrer, quis gravar uma mensagem em resposta à consulta de uma amiga sobre o que aconteceria, após sua morte, àquela força que ele foi durante tanto tempo e com tanta intensidade. Quando o corpo se extinguisse, respondeu Krishnamurti na gravação, ficariam os ensinamentos, aquele seu modo peculiar de “conhecer o que é pelo conhecimento do que não é”. Uma vez mais ele se negava a dar um depoimento pessoal sobre o sentido da sua existência e o significado de tantos anos de palestras, livros, entrevistas, diálogos, encontros. Com ele conversaram longamente, em alguns casos voltando a encontrar-se, Aldous Huxley, David Bohn, Sir Cedric Hardwike, Fritjof Capra, o Dalai-Lama, Mircea Eliade, Indira Gandhi, Yehudi Menuhin e muitos outros.
Todas as lendas a seu respeito foram desmentidas com o silêncio de Krishnamurti: a de que era uma encarnação de Maitréia, um bodisatwa que assume a vida humana por compaixão da humanidade, um “espírito de luz”, um ser superior que desce à Terra em tempos difíceis, como Krishna, Buda, Jesus Cristo, Nagarjuna, Lao-Tse, ou um psicólogo profundo,um homem do século XXI. Krishnamurti negou-se a comentar isso _que considerava puro irrealismo, projeção, puerilidade. O homem não importa, dizia ele, o que interessa são as coisas que ele diz e faz. E o que disse e fez, afinal, Jiddu Krishnamurti?
Nascido de uma família pobre de Madras, na Índia, foi “descoberto” por C.W. Leadbeater e educado pela Dra. Annie Besant, da Sociedade Teosófica. Leadbeater e Besant, os primeiros europeus com quem o menino falou, diziam ter informações sobre vidas anteriores de Krishnaji (diminutivo carinhoso adotado pelos teosofistas). Um “mestre de sabedoria”, Koot Hoomi, recomendava que o menino e seu irmão fossem preservados do meio em que viviam, aprendendo princípios de higiene e saúde mental. A primeira carta de Krishnamurti em inglês foi escrita para a Dra Besant, em janeiro de 1910, sobre sua gratidão e as experiências que tivera conhecendo pessoas ligadas à Sociedade. Quem teria escrito, pouco depois, “Aos Pés do Mestre” obra assinada pelo futuro “Instrutor do Mundo”? Cinquenta anos depois, Krishnaji diria simplesmente que ele não havia escrito o livro, e que seu autor havia desaparecido. Nem mais nem menos.
Krishnaji e seu irmão Nytia passaram a estudar em Londres, e nas férias visitavam Paris. A Sociedade Teosófica tinha grandes planos para eles, mas Nytia sofria então de uma tuberculose que logo se tornou crônica. A partir de 1922, Krislinamurti começou a mostrar-se crítico daquela preparação. Nas cartas que manda a Annie Besant, abria seu coração e mostrava muitas dúvidas. Na metade dos anos 20, os irmãos procuraram uma casa em clima ameno, aconselhável, para a doença de Nytia, e se instalaram em Ojai, nas montanhas da Califórnia.
Num domingo de agosto de 1920, Krishnaji viveu uma experiência psíquica que ele descreveu algo superficialmente à sua protetora. A partir daí, já não será o mesmo e as interpretações teosóficas não o satisfazem. Mrs. Besant diz que as dores de cabeça e o desejo de isolamento do jovem são natural do “desenvolvimento do kundalini, um preparo para a adaptação do corpo ao “Grande Ocupante”. Krishnaji permanece em silêncio, já não escreve mais; nem sequer fala com os que o cercam.
Na reunião de Ommen de. 1929, na Holanda, Krishnamurti faz um discurso sereno mas terrível para os teosofistas, dissolvendo a Ordem da Estrela e dizendo-se desvinculado de toda e qualquer organização. “Afirmo que a verdade é uma terra sem caminhos”, disse ele nesse dia, “e ninguém pode chegar a ela através de uma religião, uma seita ou de uma organização. A verdade não pode ser trazida para o vale, por maior que seja o esforço. Imagino que vocês formarão outras ordens como essa que estou dissolvendo hoje. Isso será, uma mais uma espécie de servidão, de armadilha que vai prendê-los ao medo. (…),Não quero seguidores, – porque quem segue alguma coisa ou alguém, está longe da verdade ( … ) Precisamos ficar livres de todos os temores, do medo da religião, da salvação, da chamada espiritualidade, do medo de amar, do temor da morte, do pavor da própria vida.
Vocês estão acostumados à obediência, à aceitação sem discernimento, e essa é uma forma de corrupção do espírito. Minha decisão não é um impulso, é definitiva. Vocês podem fundar, como disse, outras organizações, e esperar delas alguma coisa. Quanto a mim, estou desligado de tudo isso porque não quero criar outras prisões, nem uma nova decoração para as antigas. Meu único interesse agora é a absoluta e incondicional liberdade do homem”.
Nos setenta anos que se seguiram, sob os auspícios de várias fundações Krishnamurti na índia, Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, foram criadas escolas e grupos de encontros, mas em nenhuma dessas instituições foram apontados caminhos para o comportamento humano, fosse ele religioso, social ou político.
Em 1935, Krishnamurti esteve no Brasil, fazendo palestras no Rio, em São Paulo e em Niterói. De Santiago do Chile escreveu para sua amiga Lady Emily Lutyens, em Londres, dizendo-se espantado com o interesse que suas palavras esta­vam despertando na América do Sul. Em abril de 1937, já nos Estados Unidos, recebeu a visita de Aldous Huxley e da mulher, Maria, e dali surgiu uma amizade que iria manter-se até a morte do es­critor. O ensino fundamental de Krishnamurti era, nessa época, basicamente o que foi até o final de sua vida, em 1986. Os livros publicados então pela Krishnamurti Inc., e os depoimentos dos que o visi­tavam são unânimes em atestar essa coerência. As palavras e os exemplos mudaram com o tempo, a própria retórica conheceu algumas alterações e as palestras começavam e terminavam com diferentes temas, conforme a época, mas a pregação foi sempre a mesma.
O ensino fundamental de Krishnamurti pode ser resumido em poucas frases: o homem é condiciona­do pelo desejo e pelo medo; o pensamento é limita­do e resulta de habilidades inatas e adquiridas; to­das as idéias e opiniões são formas cristalizadas e fortalecem um centro psicológico que retoca a reali­dade constantemente; o presente é única coisa con­creta, sendo o passado apenas memória usada afetivamente e o futuro projeto de ação para preservar o conhecido; nenhum livro ou autoridade pode aju­dar o homem a encontrar a verdade, e todos os gurus e líderes são condicionadores da mente humana, sendo por sua vez condicionados; a curiosidade e a paixão da verdade são necessárias para uma busca que recomeça sempre do zero, a cada momento e sempre no aqui e no agora. Esses são os principais pontos dos ensinamentos de Krishnamurti, e segundo ele a ninguém caberá interpretá-los para outras pessoas, devendo servir-se deles para uso estritamente pessoal.
As especulações sobre o sentido da pregação e a própria vida de Krishnamurti nunca cessaram completamente. Ao longo de suas viagens pelo mundo — primeiro na Holanda, depois na Suíça, em Londres, Paris e nos EUA, na Escola Inglesa de Brockwood ou em Ojai, na Califórnia — voltava sempre a pergunta sobre as razões da sua pregação, os motivos do seu ensinamento, e vinham as inevitáveis comparações com os “homens santos” de todas as religiões. A essas questões Krishnamurti respondia invariavelmente que somente o que ele dizia tinha importância, não ele próprio. Investigar a vida de alguém, conhecer sua intimidade, compará-lo com outros homens vivos ou mortos, era pura distração ou um modo de não cuidar do essencial e urgente que era a realidade de cada indivíduo. Disso, a mensagem cuidava, uma vez que ela propunha o auto-conhecimento como único caminho. “Tudo o que interessa ao homem está nele próprio, não fora dele, e é disso que ele tem de tratar, conhecendo-se em cada movimento, em cada pensamento, em cada inibição, sem esforço nem tensão, sem buscar um resultado imediato, mas com certa paixão.”
Nos seus noventa anos, Krishnamurti recebeu alguns velhos amigos em Ojai. Ali estavam Mary Zimbalist, companheira de seus últimos anos de vida, assim como Pupul Jayakar, responsável pela Fundação na Índia e biógrafa de Krishnamurti. Nessa noite, Pupul lembrou à mesa a revelação do sábio indiano Jagannath Upadhyaya sobre a hipótese de Maitréia ter tomado o corpo de Krishnaji, evocando uma carta do irmão Nytia para Annie Besant (encontrada nos arquivos de Adyar, Índia), falando sobre o “processo” vivido pelo pensador em 1922, ali mesmo em Ojai.
Na época, havia corrido a informação de que Krishnamurti tinha pedido aos que o acompanhavam que não falassem mais no assunto, uma vez que isso não era para ser conhecido. Presente a essa evocação feita por Pupul, Krishnamurti entendeu imediatemente que ela queria sua opinião a respeito, na noite em que completava noventa anos. Disse então, que não era aconselhável ir fundo nessas questões esotéricas, “porque se você abre essa porta, você não pode conter o que está por trás dela.”
O sentido de dissociação de Krishnamurti com seu corpo foi para Mary Lutyens, autora de livros sobre ele, um desafio que ficou além de qualquer compreensão. Havia “um outro” que habitava aquele corpo do qual ele cuidava com tanto zelo? Pouco antes de morrer, Krishnamurti falou sobre a energia que passava através dele e iluminava seu espírito. Sua morte, no final de Fevereiro de 1986 em Ojai, foi serena e sua lucidez foi mantida até o último instante. Naquele ano e no anterior, ele deu atenção especial às questões relacionadas com a morte e o medo que ela suscita.
A seu pedido, seu corpo foi cremado em Ventura, California, mas não foi visto por ninguém após a morte. Mary Zimbalist descreveu esses instantes: “As horas que antecederam oito da manhã, quando os encarregados do funeral chagariam, permitiram um espaço abençoado de tempo, que aproveitei sentada em silêncio perto de Krishnaji, olhando seu rosto e sua infinita beleza. Quando o tempo acabou, abracei seus pés, seus pés de criança, delicados e flexíveis.”


 


"Tudo o que tenho a dizer-vos é que os deuses, os mestres, os guias, não são absolutamente necessários para atingirdes a libertação."
"O essencial é que vos tornei s livres e fortes e não o podereis fazer se tendes mediadores acima de vós. Não podeis ser livres e fortes se me tomardes para Mestre. Não é isso o que eu quero e sim tornar-vos fortes e livres não pelo êxtase, mas por uam reflexão atenta e deliberada, após uma longa pesquisa. Só esta certeza interior poderá destruir em vós todas as deformações do irreal"
"Eu nego que a verdade possa achar-se através dos outros, por muito maravilhosas que sejam tais pessoas e as suas organizações. A totalidade absoluta não pode ser realizada senão pelo vosso esforço pessoal".
"Observei pessoas que levavam uma vida regrada, que se levantavam a horas certas, que se alimentavam de acordo com a maneira prescrita por um pretenso ser espiritual, e que não pensavam aquelas coisas que que lhes foram proibidas. Eu as observei e vi que faltava aquilo que traz a frescura da vida. Não é impondo-se limites, observando de maneira ininteligente e estreita disciplinas mesquinhas, que se atinge o fim. A Verdade é independente do que comeis, da maneira pela qual meditais e do caminho que seguis para alcançar a compreensão."
"As religiões são obstáculo ao entendimento e a Verdade é um país sem caminhos".
"Eu segui o santuário que vós seguis, com as vossas mediações e cerimônias. E como passei por todas essas coisas eu vos digo: - deixai-as de lado! Como sofri e também fui cativo eu vos digo: - deixai essas coisas de lado, elas não auxiliam. A Verdade é uma terra sem caminhos, porque ela é o Todo".


 






Extraído de: http://anjosereno.webnode.pt/krishnamurti/

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